Mostrar mensagens com a etiqueta imigração. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta imigração. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, abril 07, 2020

O impacto da COVID-19 nos estudantes internacionais/ estrangeiros no ensino superior em Portugal

Hoje vamos falar de uma coisa séria! O impacto da COVID-19 nos estudantes internacionais/ estrangeiros no ensino superior em Portugal
É facto que o Novo Coronavírus (COVID-19), e as medidas que têm sido implementadas em diversos países para contê-lo, estão (e irão continuar) a impactar a vida de todos os estudantes, em qualquer nível de ensino, nacionais ou internacionais. No entanto, basta olharmos para as dificuldades que os estudantes internacionais normalmente têm, devido ao facto de estarem longe da família, para imaginarmos que estes poderão vir a sofrer, ainda mais, com essa crise que promete ser longa.
Por isso, eu a uma colega do Grupo MIGRARE - Migrações, Espaços e Sociedades (do CEG/ IGOT), decidimos lançar um questionário online com o intuito de inventariarmos as dificuldades acrescidas que os estudantes internacionais/ estrangeiros inscritos no ensino superior português estão a ter nesse momento. Trata-se de um trabalho sério, que pretende apresentar algumas recomendações para minimizar os efeitos nocivos que esta crise poderá ter sobre estes estudantes.
Neste sentido, convidamos todos os estudantes internacionais/ estrangeiros inscritos numa instituição de ensino superior em Portugal a preencherem o questionário que se segue e, se possível, divulgarem-no para o maior número de pessoas: https://forms.gle/F277wX9gGBv3d29p6
English version follow the link: https://forms.gle/MvzNkJzxQSquqpD4A

Muito obrigada!
Juliana Iorio

terça-feira, setembro 10, 2019

O ACOLHIMENTO DE ESTUDANTES INTERNACIONAIS: BRASILEIROS E TIMORENSES EM PORTUGAL

Acaba de ser publicado o n. 56 da REMHU, Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, com um dossiê  sobre o tema: "Migrantes africanos en América Latina: (in)movilidades y haciendo-lugar".
Nesta Revista, eu a Dra. Sílvia Nogueira (da Universidade Estadual da Paraíba) tivemos o prazer de publicar o artigo "O ACOLHIMENTO DE ESTUDANTES INTERNACIONAIS: BRASILEIROS E TIMORENSES EM PORTUGAL "que, segundo o editor desta Revista, Roberto Marinucci, "atenta sobre as dificuldades de inserção desses estudantes, provocadas às vezes por expectativas equivocadas ou exageradas por parte dos recém-chegados, outras vezes pelo idioma (sobretudo em relação aos timorenses), por entraves institucionais ou, inclusive, por preconceitos raciais e pela xenofobia."
Quem tiver interesse em ler o artigo, basta acessar:


 http://www.scielo.br/pdf/remhu/v27n56/2237-9843-remhu-27-56-197.pdf

sábado, junho 15, 2019

Por que devo contratar um imigrante?

Tive a oportunidade de fazer, no último mês, uma "pesquisa de campo" dentro da minha própria casa. Resolvi fazer uma pequena obra em casa, e aí começou o desafio de encontrar um bom empreiteiro. O primeiro que contactei (nacional do país onde vivo), para além de colocar muitos entraves à realização da obra (isso não dá, isso eu não faço, isso eu não sei) e um preço acima do mercado para executa-la, quando decidi adjudicar o serviço (por não conhecer outro) o mesmo não se mostrou disponível (agora não dá, agora não tenho tempo, etc). É certo que o mercado da construção civil em Portugal está "a bombar", mas seria bom que os empreiteiros nacionais não esquecessem que, até há bem pouco tempo (2014 mais ou menos), a crise que havia assolado este país deixou muitos empreiteiros sem trabalho. Por isso, agora que mercado aqueceu, não acho que deixar de conquistar novos clientes seja uma boa política. Nunca se sabe o dia de amanhã, não é mesmo?
Pois bem. Isso obrigou-me a continuar a minha busca e, foi aí, que eu tive a indicação de uma empresa formada essencialmente por imigrantes brasileiros. A simplicidade do seu proprietário, aliada a uma demonstração sólida de conhecimento sobre o assunto, para além de um preço muito mais atrativo do que me havia sido dado pela empresa anterior, acabaram por me convencer. Sim, pode-se dizer que foi um tiro no escuro, mas também folgo em dizer que esse tiro não poderia ter sido mais certeiro!

Foto Katie Moum
Depois de passar por isso (e enquanto investigadora em migrações), não consegui viver essa experiência sem prestar atenção nesse trabalhador imigrante. Durante quase três semanas, tive a oportunidade de conviver com cerca de 8 brasileiros dentro de casa, conheci histórias de vida, realizei observação participante, entrevistas não estruturadas, e tive a oportunidade de enriquecer, ainda mais, o meu conhecimento sobre migração.

A empreiteira que contratei existe há cerca de 10 anos, e o seu dono (que esteve quase todo o tempo trabalhando com os seus funcionários), é natural de Governador Valadares. Já havia tido uma experiência migratória anterior para os Estados Unidos, onde esteve durante 5 anos, até que em 2011, devido à crise que assolou aquele país, resolveu vir para Portugal. Segundo ele, naquela época, apesar de Portugal também vivenciar uma crise, a situação aqui era "muito melhor" do que lá. "Na época da crise, eu ganhei muito dinheiro aqui com pequenas obras, reformas. As pessoas não tinham dinheiro para construir, e por isso queriam melhorar aquilo que já tinham. Só que muitas empresas portuguesas não queriam fazer esse tipo de serviço", explicou. No entanto, como alguns parentes seus continuaram a viver nos Estados Unidos, hoje já pensa se não estaria na hora de para lá regressar. Disse que a construção civil naquele país voltou a precisar de mão-de-obra e a pagar muito bem por ela, e que em Portugal já se começa a sentir um arrefecimento neste sector.
Salientou, no entanto, que o principal problema que sente em Portugal é não ter sido pago por algumas obras que fez. Quanto maior a empreitada, mais difícil é receber por ela. Contou, inclusive, que já pensou em entrar com algumas ações na justiça para receber, mas que como trata-se de "peixes graúdos", teme perder ainda mais dinheiro e ficar tudo "em águas de bacalhau". Ou seja, apesar de estar legalizado em Portugal há quase 10 anos, tem receio de brigar na justiça pelos seus direitos contra um nacional. Ainda mais se esse nacional tiver algum poder. Além disso, a descrença na justiça que parece estar enraizada em muitos brasileiros, também pode ser responsável por fazê-lo pensar duas vezes antes de iniciar uma "briga".
Ainda assim, pode-se dizer que esse imigrante, empreendedor, e que tem dado muito trabalho para os seus conterrâneos, se tem safado em Portugal. Atualmente possui 21 empregados, a maioria brasileiros, trabalhando com ele. Muitos em regime de prestação de serviço (ou seja, trabalho precário, mas não mais precário do que o trabalho de muitos portugueses).

Assim, num dia, tive cerca de 8 brasileiros trabalhando dentro de casa. Saía o pedreiro (também proveniente de Governador Valadares), que está em Portugal há 3 anos, e entrava o pintor, que veio de Belo Horizonte há apenas um ano. Saía o ladrilhador, oriundo da Bahia, e que voltou para o Brasil no passado dia 9, e entrava o eletricista, ou o canalizador, ou o ajudante de pedreiro, todos de nacionalidade brasileira.

Eu, também brasileira, entre um cafezinho e outro, descobri que:
O que está em Portugal há 3 anos, deixou um filho no Brasil e nunca mais lá voltou. Veio para o Algarve, estimulado por um "amigo" que já lá se encontrava. Esse "amigo" prometeu-lhe um trabalho na restauração, e disse que ele poderia ficar em sua casa, desde que dividissem as despesas. O que se passou é que o trabalho não veio, o dinheiro que ele havia trazido do Brasil acabou, e ele acabou por ser "expulso" de casa porque não tinha mais dinheiro para dividir as despesas. Ou seja, é a eterna história do "amigo" que promete o "eldorado" e depois não tem como cumprir com o prometido… é a eterna história do "amigo" que precisa de alguém para dividir as despesas de casa, e se aproveita de uma situação de vulnerabilidade do outro para servir-se desse propósito, não se importando com o futuro do mesmo. Enfim… sem dinheiro, e sem lugar para morar, viu-se "obrigado" a trabalhar na apanha da laranja (muito comum no Algarve). Entretanto, lá contraiu uma doença, que até hoje não sabe ao certo o que foi, mas que o deixou internado durante 3 dias, e com "a sensação de que iria morrer". Quando saiu do hospital, decidiu vir para Lisboa, onde conheceu o dono dessa empreiteira, e com ele começou a trabalhar.

Já o que está aqui há um ano, ainda não está legalizado. Passa recibo verde e já tem uma advogada tratando-lhe da autorização de residência que, entretanto, "custa a sair". Disse que veio com a mulher porque a situação em Belo Horizonte estava muito ruim. Vieram totalmente no escuro, sem nada ao certo, e deram a "sorte" de encontrar trabalho logo. Disse que o maior desejo é ter logo a autorização de residência para poder voltar ao Brasil e comer "goiabada com queijo minas" (Não preciso nem dizer que quando ouvi isso fui logo abrir a goiabada que havia trazido do Brasil em Janeiro, e estava a espera de uma ocasião especial! Não há melhor ocasião do que partilhar aquilo que gostamos com quem sabe apreciar, não é mesmo?)

Por fim, o que já estava de regresso à Bahia, tem a mãe a viver em Portugal e costuma dividir-se entre um país e outro. No Brasil tem um salão de cabeleireiros, mas vem para cá quando precisa de dinheiro para comprar coisas para o salão. Tem a "sorte" da mãe já viver cá há muito anos, e por isso poder dividir-se entre ambos países, conforme as suas necessidades.

Foi, portanto, muito interessante descobrir que, apesar de nenhum deles ter trabalhado na construção civil antes de migrar, a qualidade do trabalho que realizam hoje não deixa nada a desejar para qualquer pedreiro, pintor ou ladrilhador experiente. E é aí que está a resposta à pergunta do título desse texto: Por que eu devo contratar um imigrante? Porque, sem generalizar, a necessidade costuma fazer com que ele se esforce muito mais do que qualquer outra pessoa. Ele se esforça porque precisa de dinheiro e não tem suporte familiar no país de destino. Ele se esforça porque quer juntar dinheiro para comprar alguma coisa no seu país de origem. Ele se esforça porque sabe que, para ser aceite, tem que provar que é tão bom, se não melhor, do que qualquer nacional. Ele se esforça porque quer ser aceite pela sociedade de acolhimento, quer ter direitos (para além de deveres), quer ter uma vida melhor do que a tinha em seu país de origem e, muitas vezes, porque aprende a valorizar pequenas coisas, como uma simples "goiabada com queijo minas".

É por isso que quando eu disse à minha irmã, que está no Brasil, que eles estavam a trabalhar inclusive aos sábados, até às 22h, ela ficou muito surpresa e disse: "Aqui eles não fazem isso!" Pois não… Se calhar por não se sentirem estimulados, por ganharem pouco, por não terem expectativas… Mas se você contratar um imigrante, talvez ele faça. Porque, em Portugal ou em qualquer parte do mundo, ser-se imigrante é ser-se esforçado, é ter que sair da zona de conforto, é não ter nada como garantido, e é ter que provar, o tempo todo, que se tem valor.

sexta-feira, maio 10, 2019

Por que e Para que uma Feira do Empreendedorismo Migrante?


O fim de semana passado estive na segunda edição da Feira do Empreendedorismo Migrante (FEM), promovida pela Associação Lusofonia Cultura e Cidadania, que aconteceu nos jardins do Palácio Pimentel/ Museu de Lisboa (o lugar em sí já valeu o passeio!). Mas a par das tradicionais “barraquinhas”, com artesanatos e iguarias de diversos países, esta feira foi mais um ponto de encontro entre pessoas de várias nacionalidades, com ideias empreendedoras, muitas das quais ainda em estado embrionário.
Por um lado, foi interessante observar um aumento de indivíduos de nacionalidades que, até então, não eram muito expressivas em Portugal, como venezuelanos, colombianos, filipinos, etc. Por outro lado, e tendo em conta que, segundo o site do evento, esta feira contou com o dobro de expositores do ano passado (cerca de 100), notou-se também uma maior incidência dos indivíduos dos países lusófonos, até mesmo pelo número de startups que têm surgido com os olhos postos nos mercados africano e brasileiro.
Marcelo Roriz, por exemplo, consultor migratório da empresa “Consultoria em Portugal”, revelou que, apesar de prestar serviços para imigrantes de qualquer nacionalidade, atualmente são os brasileiros, com um nível socioeconómico mais elevado, que mais os têm procurado. Este tipo de consultoria é prestada para indivíduos que ainda se encontram no Brasil, e desejam investir, trabalhar, estudar e viver legalmente em Portugal. No entanto, e tendo em vista a alta dos preços no mercado imobiliário em Lisboa, Marcelo também disse que, neste momento, a procura tem sido maior pela zona de Setúbal. “Só no próximo mês iremos receber 170 brasileiros, que já vêm com as situações regularizadas e as casas arrendadas”, revelou.
De facto, diversas têm sido as notícias que têm dado conta do aumento da comunidade brasileira em Portugal. Só os Jornais Diário de Notícias (em Portugal) e Folha de São Paulo (no Brasil) publicaram, no passado mês de Abril, 11 notícias sobre brasileiros em Portugal. Entre estas, o tema mais abordado prendeu-se, justamente, com o aumento desta comunidade no país. Daí o porque deste tipo de feira ser necessária. O número de estrangeiros residentes em Portugal voltou a crescer (de acordo com o Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo de 2017) e, entre eles, o número de brasileiros (5,1% a mais do que em 2016, totalizando 85.426). Destes, muitos têm vindo com o intuito de investir no país (o número de vistos para independentes e investidores duplicou de 2016 para 2017, segundo o Relatório Estatístico Anual de 2018 do Observatório das Migrações). Por isso, o principal objetivo da FEM foi “disponibilizar apoio, divulgação, promoção, formação, desenvolvimento de competências, para que estes indivíduos possam criar os seus negócios, redes de contatos e oportunidades de financiamento e investimento”.
No entanto, entre a necessidade de se existir eventos como este (por que) e os mesmos conseguirem atingir os objetivos a que se propuseram (para que), existe uma grande diferença: Vejamos, por exemplo, o caso de um projeto bastante interessante: o “Empreendedor Online.com”. Trata-se de um serviço de apoio à divulgação de negócios na Web, que além de desenvolver e administrar websites, pretende oferecer consultores especializados na área do cliente, a fim de maximizar a eficácia do negócio. Neste sentido, especialistas de diversas áreas poderão se unir ao projeto, enquanto “associado” ou “mentor social”, e prestar os seus serviços quando solicitados. É, sem dúvida, uma ideia bastante boa, mas que ainda precisa de apoio, sobretudo quanto a sua divulgação e promoção. E digo isto em tom de crítica construtiva, porque penso que uma empresa que pretende prestar um serviço de comunicação, deve tomar mais cuidado ao divulgar um folder explicativo escrito, “Saiba mais em: Projeto Empreendedores Online.com”, quando na realidade o nome do projeto - aquele que iremos pesquisar na Net - é Empreendedor (no singular e não no plural). Neste sentido, é para isso que servem estas feiras: Para darem este tipo de feedback e, assim, fazerem com que ideias giras como essa sejam trabalhadas e possam vingar no futuro.
É preciso, por exemplo, estar mais atento à comunicação, divulgação, e mesmo aproximação com um potencial cliente. Um dos expositores que chamou a minha atenção na FEM foi a “Associação Adoro Ser Mulher” - uma associação que pretende unir em rede o empreendedorismo feminino dos países e comunidades lusófonas. Lá também recebi um folder explicativo mas, diferentemente do que se passou no stand do “Empreendedor.com”, em nenhum momento, nenhuma das mulheres da “Adoro ser Mulher”, veio ter comigo para saber se eu pretendia maiores informações. Para um evento onde se pretende fazer networking, não achei essa postura muito produtiva, o que, uma vez mais, reforça a necessidade de uma maior disseminação deste tipo de eventos para o desenvolvimento de competências, sobretudo sociais e de gestão, que posteriormente poderão consolidar ideias. 
Apesar de em Portugal já estarmos mais habituados e ver coxinhas de galinha e pão de queijo à venda nos cafés, os imigrantes que para cá têm vindo almejam investir para além da restauração. É certo que muitos destes empreendedores não o eram em seus países de origem e que, por isso, apesar de boas e inovadoras ideias, poderão não saber colocá-las em prática. Se já é difícil fazer vingar um negócio no seu próprio país, cujas necessidades e a cultura da comunidade se conhece a partida, quão mais difícil será fazer isso em outro país?

sábado, março 30, 2019

Minha Tese de Doutoramento no repositório da Universidade de Lisboa

Para quem estiver interessado, a minha tese de Doutoramento, "Trajetórias de Mobilidade Estudantil Internacional : estudantes brasileiros no ensino superior em Portugal", já está disponível para leitura no repositório da Universidade de Lisboa: http://hdl.handle.net/10451/37454

quarta-feira, fevereiro 27, 2019

A construção midiática do “eldorado” lusitano a partir dos novos fluxos migratórios de brasileiros para Portugal

2018 acabou com a publicação de um artigo científico, pela Revista de Ciências Sociais "SÉCULO XXI" (Brasil), que eu tive o prazer de escrever com a minha antiga colega de Mestrado em Comunicação e Indústrias Culturais da Universidade Católica Portuguesa, Elaine Javorski Souza!
"A construção midiática do “eldorado” lusitano a partir dos novos fluxos migratórios de brasileiros para Portugal"

A importância das Redes Sociais, da Internet e das Redes Sociais Online na mobilidade dos estudantes brasileiros do ensino superior para Portugal

E acaba de ser publicado - v. 33, n. 2 (2018) - mais um artigo científico de minha autoria. Desta vez, pelos Cadernos de Estudos Sociais da Fundação Joaquim Nabuco (Brasil):

Estudantes brasileiros no ensino superior português: construção do projeto migratório e intenções de mobilidade futura

É com muita satisfação que partilho convosco a publicação pela FINISTERRA - Revista Portuguesa de Geografia - vol. 53 n.º 109 (2018) - de mais um artigo científico de minha autoria e de Lucinda Fonseca:

Social class inequalities and international student mobility

Feliz 2019!
Este ano começa com a publicação de mais um artigo científico de minha autoria e de Sónia Pereira, publicado pela Revue belge de géographie - Belgeo (3 | 2018).
Confiram em: 

segunda-feira, julho 30, 2018

Por que tudo fecha durante as férias em Portugal?

Por Juliana Iorio
Jornalista Freelancer
Essa é uma das perguntas que mais nos fazemos quando chegamos em Portugal e nos deparamos com tudo fechado durante o mês de Agosto. Até entendermos que o comércio em Portugal é feito, maioritariamente, de microempresas familiares, e que para as família passarem as férias juntas precisam fechar os estabelecimentos, demora... Até mesmo porque, para quem vem de grandes cidades no Brasil, isso não existe. Ou, pelo menos, é muito raro de se ver...
Portanto, os hábitos e costumes da cultura portuguesa ainda continuam a estranhar muitos imigrantes e turistas, principalmente aqueles que julgam conhecer bem a cultura deste país, como é o caso dos brasileiros.
Esses dias, em uma comunidade de brasileiros em Lisboa no Facebook, uma brasileira perguntou o que os participantes achavam ser mais diferente em Portugal, em comparação com o Brasil, e as respostas foram as mais variadas possíveis! Desde diferenças concretas nos hábitos alimentares, como o acompanhamento nas refeições ser sempre a batata e não o arroz, como a pastelaria ser a base de “doce d´ovos” ou se tomar sopa em todas as refeições; até diferenças de costumes de higiene, como o palitar os dentes à mesa e não escovar os dentes após cada refeição.

Entretanto, enquanto uns elogiavam a educação dos portugueses, dizendo que surpreenderam-se positivamente com os carros que param na faixa de peões (pedestres) por exemplo, outros reclamavam da maneira com que se conduz (dirige) em Portugal e do facto dos portugueses serem “ranzinzas” e preconceituosos. Opiniões a parte, foi muito interessante perceber como pessoas de uma mesma nacionalidade conseguem ter experiências tão distintas estando num mesmo país, e como os estranhamentos são tão importantes quando queremos entender as diferenças culturais desse país.

Mas o que me chamou mais atenção neste post foi o comentário de uma das participantes que disse: “… convivendo com eles, entendi que aquele modo “grosseiro” de se comportar era entre eles próprios também... Então eu tinha duas opções, voltar pra casa e escolher um lugar em que eu me adaptasse melhor, ou me adequar. Escolhi a primeira opção”. É isso! Mais uma vez o que está em causa não é se o português é grosseiro ou não, mas a nossa capacidade de aceitar que o relacionamento em Portugal é diferente do Brasil. É lógico que sempre podemos questionar as diferenças e percebê-las de forma mais positiva ou negativa. Mas o que nos faz permanecer no país (quando temos escolha) é a capacidade que temos de aceitar as diferenças e relevar aquilo que consideramos ser mais negativo. E esse parêntesis sobre “ter-se escolha” é muito importante, porque nem todos os que emigram têm condições de retornarem, se não gostarem da experiência.

Quando eu cheguei em Portugal questionava tudo o que era diferente do Brasil, sem pensar se era melhor ou pior. Algumas coisas simplesmente me incomodavam porque eram diferentes daquilo com que eu estava acostumada. Por exemplo, me irritava não haver ralo por toda a casa, para eu poder jogar água no chão, e puxar com o rodo! Eu não estava habituada a usar uma esfregona! Eu achava muito estranho ter que pendurar as roupas lavadas do lado de fora das janelas. Como assim? Além de feio, as roupas ficavam sujas! E comer sopa, inclusive no verão? Mas onde estavam as saladas? Contudo, com o tempo, além de aceitar esses hábitos, fui os incorporando ao meu modo de vida. Não é algo que eu tenha feito de maneira consciente, mas o facto é que hoje, quando vou ao Brasil, sinto falta da sopa mesmo estando um calor de quarenta graus! Hoje acho muito mais democrático a possibilidade de se poder fumar numa esplanada em Portugal, e me irrita profundamente não se poder fumar em lugar nenhum no Brasil. Hoje sei que corro risco de ser atropelada no Brasil, quando atravesso na faixa de pedestre sem me certificar se o carro irá mesmo parar. Ou seja, hoje, algumas coisas que me irritavam em Portugal, agora me irritam no Brasil. Acho que todo imigrante depois de muito tempo vivendo em outro país, acaba por incorporar as diferenças… É como se diz por cá: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se!”.

Mas eu continuo a achar que faz mais sentido a casa ter uma "área de serviço", como no Brasil, onde colocamos as máquinas de lavar e secar roupa, sem falar no tanque e no varal (estendal), do que ter essas máquinas na cozinha e continuar a estender as roupas à janela! Eu continuo a achar estranho todo mundo querer tirar férias em Agosto (apesar de saber que isso tem a ver com o clima - ser verão em Portugal nesta época do ano - e com as férias escolares), e muitos lugares, principalmente restaurantes em locais turísticos, fecharem durante todo o mês de Agosto! Não vejo muito lógica, mesmo em microempresas familiares, fecharem no período em que poderiam ter mais lucro devido ao turismo... Mas, se calhar, eles é que têm razão, pois dão mais importância a qualidade de vida, em passar tempo com a família, do que em ganhar dinheiro... De qualquer modo, e plagiando o cantor português Rui Veloso, hoje entre mim e Portugal, “é muito mais o que nos une, do que aquilo que nos separa”.

Não encontrei o autor
"Não vejo muito lógica, mesmo em microempresas familiares, fecharem no período em que poderiam ter mais lucro devido ao turismo... Mas, se calhar, eles é que têm razão, pois dão mais importância a qualidade de vida, em passar tempo com a família, do que em ganhar dinheiro..." 

quinta-feira, junho 14, 2018

Artigo de Opinião, publicado em 14 de Junho de 2018, pelo jornal Diário de Notícias


"Ligações migratórias contemporâneas: Brasil, Estados Unidos e Portugal"

No capítulo 8, "Estudantes brasileiros no ensino superior português: Quais as motivações para a escolha de Portugal e por que retornam ao Brasil?", escrito no início do meu doutoramento, em 2015 (no âmbito de um projeto de pesquisa financiado pela CAPES e FCT, com participação do NEDER, do Mestrado de Gestão Integrada do Território, da Universidade Vale do Rio Doce - UNIVALE, e do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, da Universidade de Lisboa - IGOT/ UL); procuro apresentar os dados em que me baseei antes de sair a campo, para além de alguns depoimentos de estudantes brasileiros do ensino superior que estiveram em Portugal, mas já haviam retornado ao Brasil.
Trata-se, portanto, de um capítulo introdutório ao estudo que venho desenvolvendo através do meu projeto de tese: "Trajetórias de mobilidade estudantil internacional: estudantes brasileiros no ensino superior em Portugal"

domingo, março 12, 2017

Por um punhado de dólares - Os novos emigrados

200 milhões de migrantes mandam para casa cerca de 400 bilhões de dólares através de pequenas remessas mensais, após saírem de seus países para tentar outra vida.
Este documentário de Leonardo Dourado, que estará brevemente disponível nas salas de cinema de São Paulo e Rio de Janeiro, acompanha algumas dessas trajetórias de brasileiros que foram para o Japão, mexicanos que emigraram para os EUA, um gambiano que foi para a Alemanha, e histórias de migração que compõem o complexo fluxo de pessoas no mundo.
Fiquem atentos e não percam!