Foi publicado hoje pelo Caderno Eletrônico de Ciências Sociais (CADECS), mais um artigo científico de minha autoria: "O capital linguístico e as migrações internacionais: uma análise da influência deste capital na escolha dos estudantes brasileiros do ensino superior por Portugal"
Acesso em: http://periodicos.ufes.br/cadecs/article/view/21533/14290
Este Blog é mantido (desde Maio de 2005) por Juliana Iorio (juioriobr@hotmail.com) e começou com o objetivo de apresentar estudos na área da Comunicação, que estavam a ser desenvolvidos tanto no Brasil quanto em Portugal. No entanto, tornou-se num veículo de comunicação entre ambos os países, e para além de apresentar estudos comparativos, nas mais diversas áreas do conhecimento, procura divulgar também o que tem acontecido, de jornalisticamente relevante, nestes dois países.
quarta-feira, outubro 03, 2018
segunda-feira, julho 30, 2018
Por que tudo fecha durante as férias em Portugal?
Por Juliana Iorio
Jornalista Freelancer
Essa é uma das perguntas que mais nos fazemos quando chegamos em Portugal e nos deparamos com tudo fechado durante o mês de Agosto. Até entendermos que o comércio em Portugal é feito, maioritariamente, de microempresas familiares, e que para as família passarem as férias juntas precisam fechar os estabelecimentos, demora... Até mesmo porque, para quem vem de grandes cidades no Brasil, isso não existe. Ou, pelo menos, é muito raro de se ver...
Portanto, os
hábitos e costumes da cultura portuguesa ainda continuam a estranhar muitos imigrantes e turistas, principalmente aqueles que julgam conhecer bem a cultura deste país, como é o caso dos
brasileiros.
Esses dias, em uma comunidade de brasileiros em Lisboa no Facebook, uma brasileira perguntou o que
os participantes achavam ser mais diferente em Portugal, em comparação com o
Brasil, e as respostas foram as mais variadas possíveis! Desde diferenças
concretas nos hábitos alimentares, como o acompanhamento nas refeições ser sempre
a batata e não o arroz, como a pastelaria ser a base de “doce d´ovos” ou se
tomar sopa em todas as refeições; até diferenças de costumes de higiene, como o palitar os dentes à mesa e não escovar os dentes após cada refeição.
Entretanto, enquanto uns elogiavam a educação dos portugueses, dizendo que
surpreenderam-se positivamente com os carros que param na faixa de peões (pedestres) por
exemplo, outros reclamavam da maneira com que se conduz (dirige) em Portugal e do facto dos portugueses
serem “ranzinzas” e preconceituosos. Opiniões a parte, foi muito interessante
perceber como pessoas de uma mesma nacionalidade conseguem ter experiências tão
distintas estando num mesmo país, e como os estranhamentos são tão importantes quando
queremos entender as diferenças culturais desse país.
Mas o que me chamou
mais atenção neste post foi o
comentário de uma das participantes que disse: “… convivendo com eles, entendi que aquele modo “grosseiro” de se comportar
era entre eles próprios também... Então eu tinha duas opções, voltar pra casa e
escolher um lugar em que eu me adaptasse melhor, ou me adequar. Escolhi a
primeira opção”. É isso! Mais uma vez o que está em causa não é se o
português é grosseiro ou não, mas a nossa capacidade de aceitar que o
relacionamento em Portugal é diferente do Brasil. É lógico que sempre podemos
questionar as diferenças e percebê-las de forma mais positiva ou negativa. Mas
o que nos faz permanecer no país (quando temos escolha) é a capacidade que temos
de aceitar as diferenças e relevar aquilo que consideramos ser mais negativo. E
esse parêntesis sobre “ter-se escolha” é muito importante, porque nem todos os
que emigram têm condições de retornarem, se não gostarem da experiência.
Quando
eu cheguei em Portugal questionava tudo o que era diferente do Brasil, sem
pensar se era melhor ou pior. Algumas coisas simplesmente me incomodavam porque
eram diferentes daquilo com que eu estava acostumada. Por exemplo, me irritava
não haver ralo por toda a casa, para eu poder jogar água no chão, e puxar com o
rodo! Eu não estava habituada a usar uma esfregona! Eu achava muito estranho ter
que pendurar as roupas lavadas do lado de fora das janelas. Como assim? Além de
feio, as roupas ficavam sujas! E comer sopa, inclusive no verão? Mas onde
estavam as saladas? Contudo, com o tempo, além de aceitar esses hábitos, fui os
incorporando ao meu modo de vida. Não é algo que eu tenha feito de maneira
consciente, mas o facto é que hoje, quando vou ao Brasil, sinto falta da sopa
mesmo estando um calor de quarenta graus! Hoje acho muito
mais democrático a possibilidade de se poder fumar numa esplanada em Portugal, e
me irrita profundamente não se poder fumar em lugar nenhum no Brasil. Hoje sei
que corro risco de ser atropelada no Brasil, quando atravesso na faixa de pedestre sem me certificar se o carro irá mesmo parar. Ou seja, hoje, algumas coisas que
me irritavam em Portugal, agora me irritam no Brasil. Acho que todo imigrante
depois de muito tempo vivendo em outro país, acaba por incorporar as diferenças…
É como se diz por cá: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se!”.
Mas eu continuo a achar
que faz mais sentido a casa ter uma "área de serviço", como no Brasil, onde colocamos as
máquinas de lavar e secar roupa, sem falar no tanque e no varal (estendal), do que ter
essas máquinas na cozinha e continuar a estender as roupas à janela! Eu
continuo a achar estranho todo mundo querer tirar férias em Agosto (apesar de saber que isso tem a ver com o clima - ser verão em Portugal nesta época do ano - e com as férias escolares), e muitos lugares, principalmente restaurantes em locais turísticos, fecharem durante
todo o mês de Agosto! Não vejo muito lógica, mesmo em microempresas familiares, fecharem no período em que poderiam ter mais lucro devido ao turismo... Mas, se calhar, eles é que têm razão, pois dão mais importância a qualidade de vida, em passar tempo com a família, do que em ganhar dinheiro... De
qualquer modo, e plagiando o cantor português Rui Veloso, hoje entre mim e Portugal, “é muito mais
o que nos une, do que aquilo que nos separa”.
domingo, julho 08, 2018
A morte do comércio tradicional português, e os benefícios e malefícios do turismo, e da globalização
É certo
que o aumento de turistas tem levado muitos para as zonas menos
exploradas de Portugal. Não é só Lisboa que se tem “beneficiado” com isto. Dia
desses lí que uma aldeia, em Arcos de Valdevez (Região Norte), havia registado um “surto
turístico” nunca antes visto. No entanto, também é certo que com esse “boom”
turístico, as dificuldades que o comércio tradicional português tem enfrentado
para conseguir manter as suas tradições, estão a ser cada vez maiores. Ora
vejamos: Na referida aldeia, a tasquinha da “Tia Amélia” encontra-se em processo de ampliação, e a residência paroquial foi autorizada a instalar um restaurante, como "medida de contingência para acudir ao surto turístico”. Portanto, se
por um lado, estas alterações podem ser positivas, na medida em que irão
possibilitar mais estruturas aos turistas, e irão trazer mais dinheiro para a
aldeia, será que, por outro lado, isto não acabará por descaracterizar uma
aldeia considerada “monumento nacional”? Se aliarmos a isto o facto da
indústria nacional também ter muita dificuldade em disputar um espaço com as
indústrias que estão a vir de fora, um dos grandes “malefícios” do aumento do
turismo em Portugal pode ser o comércio tradicional português não conseguir competir, e sucumbir a padronização (como aliás já acontece em tantos
outros países com tradições turísticas). Hoje,
tanto faz estarmos em Lisboa ou em Berlim porque as lojas que encontramos são as
mesmas, a variedade entre o que elas oferecem é diminuta, a padronização é cada
vez maior, e o que é próprio (tradicional) de cada país cada vez mais caro e
raro de encontrar.
Além
disso, como as políticas de arrendamento, sobretudo em Lisboa, não têm
beneficiado os comerciantes tradicionais que se encontram nas zonas históricas,
casas icónicas do comércio tradicional lisboeta, como a pastelaria suíça, a joalharia Correia e a loja de decoração Ana Salgueiro já anunciaram que irão fechar as suas portas para, se calhar, dar lugar à um comércio que vêm de fora, e que
tende a descaracterizar o centro histórico desta cidade.
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| Foto: site da Pastelaria Suíça |
Para quem vem de fora, não conhece o que é genuinamente
português e, portanto, não tem parâmetros de
comparação, isto não é necessariamente mau. Por isso, mesmo antes de fecharem
as portas, muitas destas lojas já vinham perdendo, gradualmente, a qualidade…
Deixaram de ter a necessidade de agradar aos portugueses, uma vez que os
turistas tornaram-se os clientes principais. Logo, ter-se um comércio cada vez mais voltado para o turista pode significar que manter a tradição, e
os padrões de qualidade que isto exige, talvez já não faça muito sentido.
Por
exemplo, quem não conhece a gastronomia portuguesa, pode apreciar ou não
qualquer coisa que comer em Portugal, sem comer, de facto, algo genuinamente
português. Há ainda aqueles que, justamente por não a conhecerem, preferem não
arriscar, e hoje já conseguem encontrar muitas opções, como os diversos fast food e pizzarias espalhados pelo país. Perde-se, por
exemplo, a “Pastelaria do seu Zé”, e abre-se mais uma pastelaria Fast Food, voltada para turistas ou para aqueles que não têm memória.
Apesar de
estar aqui há “somente” 18 anos, já consigo notar uma grande diferença na
oferta, qualidade, e preços que são praticados hoje em Portugal. A oferta e os
preços aumentaram, mas a qualidade do que é oferecido nem sempre… Se para mim
isto tem sido percetível, para uma geração de portugueses que possui a memória
da diferença entre o doce d´ovos, o creme de pasteleiro, ou o chantilly que cada pastelaria produzia, imagino
que hoje seja fácil perceber que o “pré-fabricado” invadiu grande parte das
pastelarias portuguesas, não mais deixando nenhum diferencial entre elas. Será a morte do comércio tradicional português? Se sim, será que isso realmente interessa uma geração mais jovem (aquela que hoje pode fazer a diferença), que não têm a memória de "como foi"? Uma geração que tem aprendido que a globalização, a padronização, é sinônimo de cosmopolitismo?
Por Juliana Iorio
Jornalista Freelancer
quinta-feira, julho 05, 2018
Você já ouviu falar da Universidade Europeia?
A Universidade Europeia (UE) é uma instituição de ensino privada em Lisboa (Portugal), que pertence ao grupo Laureate International Universities, e existe desde 2013. Apesar deste grupo contar com 3 instituições em Portugal (para além da UE, o IADE - Creative University e o IPAM - Instituto Português de Administração de Marketing), hoje, a convite da UE, os membros da Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal foram conhecer um dos seus campus de perto.
Quem passa em frente ao Campus da Quinta do Bom Nome (localizado na Estrada da Correia, nº53), não consegue ter a dimensão do que vai lá dentro! Trata-se de um empreendimento situado num antigo Palácio em Lisboa, que foi restaurado e oferece atualmente excelentes condições para quem quiser lá estudar. Com a particularidade de ficar aberto 7 dias por semana e 24 horas por dia, os estudantes podem lá entrar até a meia noite e a partir das 8h da manhã. Entre este período, apesar de não se poder entrar, quem já lá estiver e quiser passar a noite estudando, pode ficar! Afinal o espaço oferece uma biblioteca, salas de estudo, para além de um lounge exterior. Mas é lógico que se, lá pelas 3 da manhã, o estudante quiser ir-se embora, pode ir!
Para além de conferir graus acadêmicos na licenciatura, mestrado e doutoramento, oferece cursos de pós-graduação em áreas como gestão, direito, psicologia, recursos humanos, marketing, comunicação, desporto (em parceria com a UE Real Madrid), informática e tecnologias, gestão hoteleira e turismo.
Apesar de ser uma universidade nova, já conta com muitos estudantes internacionais e tem investido na atração dos mesmos. Hoje possui cursos ministrados em inglês, mas também procura captar os estudantes de nacionalidade brasileira, marcando a sua presença em eventos no Brasil. Trata-se, portanto, de mais uma opção para os estudantes brasileiros que pretendam estudar em Portugal!
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| Interior do Campus da Quinta do Bom Nome |
quinta-feira, junho 14, 2018
"Ligações migratórias contemporâneas: Brasil, Estados Unidos e Portugal"

No capítulo 8, "Estudantes brasileiros no ensino superior português: Quais as motivações para a escolha de Portugal e por que retornam ao Brasil?", escrito no início do meu doutoramento, em 2015 (no âmbito de um projeto de pesquisa financiado pela CAPES e FCT, com participação do NEDER, do Mestrado de Gestão Integrada do Território, da Universidade Vale do Rio Doce - UNIVALE, e do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, da Universidade de Lisboa - IGOT/ UL); procuro apresentar os dados em que me baseei antes de sair a campo, para além de alguns depoimentos de estudantes brasileiros do ensino superior que estiveram em Portugal, mas já haviam retornado ao Brasil.
Trata-se, portanto, de um capítulo introdutório ao estudo que venho desenvolvendo através do meu projeto de tese: "Trajetórias de mobilidade estudantil internacional: estudantes brasileiros no ensino superior em Portugal"
Trata-se, portanto, de um capítulo introdutório ao estudo que venho desenvolvendo através do meu projeto de tese: "Trajetórias de mobilidade estudantil internacional: estudantes brasileiros no ensino superior em Portugal"
segunda-feira, junho 04, 2018
As Feiras Medievais em Portugal
Quem me conhece sabe que eu adoro as chamadas "Feiras Medievais", "Mercados Quinhentistas, Setecentistas, etc", em Portugal. A primeira
que fui, realizou-se em Óbidos, e a partir de então não parei mais de ir! Na Grande
Lisboa já fui em todas, desde Sintra, Queluz, até São Domingos de Rana,
Montijo, chegando em Palmela. No Algarve, estive numa das que mais gostei, a de
Castro Marim. No entanto, de uns anos para cá, as feiras medievais multiplicaram-se
e perderam a sua principal característica, ser medieval! Isso fez com que o ano
passado, eu não fosse a nenhuma delas.
Este ano, porém, resolvi ir a uma que já havia ouvido falar
muito bem: A de Torres Novas.
Sob o mote “A Salvação do Corpo - Mestre António,
físico-mor de D. João II”, e intitulada como sendo uma “Feira de Época”, não defraudou
as minhas expectativas, pois manteve-se fiel à preservação das memórias da
história. Para uma brasileira, proveniente do “novo continente”, foi muito
interessante ver como Portugal era na época de Dom João II.
A feira, que realizou-se entre 30 de Maio e 3 de Junho, estava
na sua nona edição, e como eu não havia ido em outras, não tenho meios de
comparação. Mas no que se refere a esta, posso dizer que foi, sem dúvida, uma
das melhores em que já fui em Portugal.
A começar pelo facto da cidade inteira viver a feira. Não é uma
praça, um recinto, um lugar, mas todas a “cidade velha”, fazendo com que, para
que entremos nela, sejamos obrigados a deixar o carro em parques de
estacionamento fora do recinto. Isto, por si só, já nos faz regressar no tempo,
pois entramos num local sem circulação de carros.
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| Acampamento de Arqueiros |
Toda a feira, para além de barracas com produtos e “comes e
bebes” servidos a preceito, tinha áreas temáticas, como o “acampamento de
arqueiros”, onde estava perfeitamente recriada a vida quotidiana através dos
ofícios militares e civis da época, ou a “Mouraria”, testemunho sempre presente
do legado islâmico entre cristãos; com pessoas vestidas a rigor e verdadeiros momentos
de recriação histórica. Destaco ainda o espetáculo de fogo “INFIRMUS MORBUS”, que
aconteceu na primeira madrugado do evento.
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| Mouraria |
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Mouraria
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| Dromedários |
Penso que é uma experiência que todos deveriam ter, afinal, não
é todos os dias que nos deparamos com dromedários no meio da rua!
quinta-feira, maio 03, 2018
Artigo de Opinião, publicado em 3 de Maio de 2018, pelo Jornal Diário de Notícias
Olá pessoal! Saindo do tema dos meus últimos artigos no DN, mais relacionados com a divulgação do que tenho encontrado através do Doutorado, hoje resolvi falar sobre o que se passa no Brasil. Uma análise de uma brasileira em Portugal.
Ler aqui!
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