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Este Blog é mantido (desde Maio de 2005) por Juliana Iorio (juioriobr@hotmail.com) e começou com o objetivo de apresentar estudos na área da Comunicação, que estavam a ser desenvolvidos tanto no Brasil quanto em Portugal. No entanto, tornou-se num veículo de comunicação entre ambos os países, e para além de apresentar estudos comparativos, nas mais diversas áreas do conhecimento, procura divulgar também o que tem acontecido, de jornalisticamente relevante, nestes dois países.
quinta-feira, março 14, 2019
quarta-feira, fevereiro 27, 2019
A construção midiática do “eldorado” lusitano a partir dos novos fluxos migratórios de brasileiros para Portugal
2018 acabou com a publicação de um artigo científico, pela Revista de Ciências Sociais "SÉCULO XXI" (Brasil), que eu tive o prazer de escrever com a minha antiga colega de Mestrado em Comunicação e Indústrias Culturais da Universidade Católica Portuguesa, Elaine Javorski Souza!
"A construção midiática do “eldorado” lusitano a partir dos novos fluxos migratórios de brasileiros para Portugal"
"A construção midiática do “eldorado” lusitano a partir dos novos fluxos migratórios de brasileiros para Portugal"
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A importância das Redes Sociais, da Internet e das Redes Sociais Online na mobilidade dos estudantes brasileiros do ensino superior para Portugal
E acaba de ser publicado - v. 33, n. 2 (2018) - mais um artigo científico de minha autoria. Desta vez, pelos Cadernos de Estudos Sociais da Fundação Joaquim Nabuco (Brasil):
Estudantes brasileiros no ensino superior português: construção do projeto migratório e intenções de mobilidade futura
É com muita satisfação que partilho convosco a publicação pela FINISTERRA - Revista Portuguesa de Geografia - vol. 53 n.º 109 (2018)
- de mais um artigo científico de minha autoria e de Lucinda Fonseca:
Social class inequalities and international student mobility
Feliz 2019!
Este ano começa com a publicação de mais um artigo científico de minha autoria e de Sónia Pereira, publicado pela Revue belge de géographie - Belgeo (3 | 2018).
Confiram em:
quarta-feira, outubro 03, 2018
O capital linguístico e as migrações internacionais: uma análise da influência deste capital na escolha dos estudantes brasileiros do ensino superior por Portugal
Foi publicado hoje pelo Caderno Eletrônico de Ciências Sociais (CADECS), mais um artigo científico de minha autoria: "O capital linguístico e as migrações internacionais: uma análise da influência deste capital na escolha dos estudantes brasileiros do ensino superior por Portugal"
Acesso em: http://periodicos.ufes.br/cadecs/article/view/21533/14290
Acesso em: http://periodicos.ufes.br/cadecs/article/view/21533/14290
segunda-feira, julho 30, 2018
Por que tudo fecha durante as férias em Portugal?
Por Juliana Iorio
Jornalista Freelancer
Essa é uma das perguntas que mais nos fazemos quando chegamos em Portugal e nos deparamos com tudo fechado durante o mês de Agosto. Até entendermos que o comércio em Portugal é feito, maioritariamente, de microempresas familiares, e que para as família passarem as férias juntas precisam fechar os estabelecimentos, demora... Até mesmo porque, para quem vem de grandes cidades no Brasil, isso não existe. Ou, pelo menos, é muito raro de se ver...
Portanto, os
hábitos e costumes da cultura portuguesa ainda continuam a estranhar muitos imigrantes e turistas, principalmente aqueles que julgam conhecer bem a cultura deste país, como é o caso dos
brasileiros.
Esses dias, em uma comunidade de brasileiros em Lisboa no Facebook, uma brasileira perguntou o que
os participantes achavam ser mais diferente em Portugal, em comparação com o
Brasil, e as respostas foram as mais variadas possíveis! Desde diferenças
concretas nos hábitos alimentares, como o acompanhamento nas refeições ser sempre
a batata e não o arroz, como a pastelaria ser a base de “doce d´ovos” ou se
tomar sopa em todas as refeições; até diferenças de costumes de higiene, como o palitar os dentes à mesa e não escovar os dentes após cada refeição.
Entretanto, enquanto uns elogiavam a educação dos portugueses, dizendo que
surpreenderam-se positivamente com os carros que param na faixa de peões (pedestres) por
exemplo, outros reclamavam da maneira com que se conduz (dirige) em Portugal e do facto dos portugueses
serem “ranzinzas” e preconceituosos. Opiniões a parte, foi muito interessante
perceber como pessoas de uma mesma nacionalidade conseguem ter experiências tão
distintas estando num mesmo país, e como os estranhamentos são tão importantes quando
queremos entender as diferenças culturais desse país.
Mas o que me chamou
mais atenção neste post foi o
comentário de uma das participantes que disse: “… convivendo com eles, entendi que aquele modo “grosseiro” de se comportar
era entre eles próprios também... Então eu tinha duas opções, voltar pra casa e
escolher um lugar em que eu me adaptasse melhor, ou me adequar. Escolhi a
primeira opção”. É isso! Mais uma vez o que está em causa não é se o
português é grosseiro ou não, mas a nossa capacidade de aceitar que o
relacionamento em Portugal é diferente do Brasil. É lógico que sempre podemos
questionar as diferenças e percebê-las de forma mais positiva ou negativa. Mas
o que nos faz permanecer no país (quando temos escolha) é a capacidade que temos
de aceitar as diferenças e relevar aquilo que consideramos ser mais negativo. E
esse parêntesis sobre “ter-se escolha” é muito importante, porque nem todos os
que emigram têm condições de retornarem, se não gostarem da experiência.
Quando
eu cheguei em Portugal questionava tudo o que era diferente do Brasil, sem
pensar se era melhor ou pior. Algumas coisas simplesmente me incomodavam porque
eram diferentes daquilo com que eu estava acostumada. Por exemplo, me irritava
não haver ralo por toda a casa, para eu poder jogar água no chão, e puxar com o
rodo! Eu não estava habituada a usar uma esfregona! Eu achava muito estranho ter
que pendurar as roupas lavadas do lado de fora das janelas. Como assim? Além de
feio, as roupas ficavam sujas! E comer sopa, inclusive no verão? Mas onde
estavam as saladas? Contudo, com o tempo, além de aceitar esses hábitos, fui os
incorporando ao meu modo de vida. Não é algo que eu tenha feito de maneira
consciente, mas o facto é que hoje, quando vou ao Brasil, sinto falta da sopa
mesmo estando um calor de quarenta graus! Hoje acho muito
mais democrático a possibilidade de se poder fumar numa esplanada em Portugal, e
me irrita profundamente não se poder fumar em lugar nenhum no Brasil. Hoje sei
que corro risco de ser atropelada no Brasil, quando atravesso na faixa de pedestre sem me certificar se o carro irá mesmo parar. Ou seja, hoje, algumas coisas que
me irritavam em Portugal, agora me irritam no Brasil. Acho que todo imigrante
depois de muito tempo vivendo em outro país, acaba por incorporar as diferenças…
É como se diz por cá: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se!”.
Mas eu continuo a achar
que faz mais sentido a casa ter uma "área de serviço", como no Brasil, onde colocamos as
máquinas de lavar e secar roupa, sem falar no tanque e no varal (estendal), do que ter
essas máquinas na cozinha e continuar a estender as roupas à janela! Eu
continuo a achar estranho todo mundo querer tirar férias em Agosto (apesar de saber que isso tem a ver com o clima - ser verão em Portugal nesta época do ano - e com as férias escolares), e muitos lugares, principalmente restaurantes em locais turísticos, fecharem durante
todo o mês de Agosto! Não vejo muito lógica, mesmo em microempresas familiares, fecharem no período em que poderiam ter mais lucro devido ao turismo... Mas, se calhar, eles é que têm razão, pois dão mais importância a qualidade de vida, em passar tempo com a família, do que em ganhar dinheiro... De
qualquer modo, e plagiando o cantor português Rui Veloso, hoje entre mim e Portugal, “é muito mais
o que nos une, do que aquilo que nos separa”.
domingo, julho 08, 2018
A morte do comércio tradicional português, e os benefícios e malefícios do turismo, e da globalização
É certo
que o aumento de turistas tem levado muitos para as zonas menos
exploradas de Portugal. Não é só Lisboa que se tem “beneficiado” com isto. Dia
desses lí que uma aldeia, em Arcos de Valdevez (Região Norte), havia registado um “surto
turístico” nunca antes visto. No entanto, também é certo que com esse “boom”
turístico, as dificuldades que o comércio tradicional português tem enfrentado
para conseguir manter as suas tradições, estão a ser cada vez maiores. Ora
vejamos: Na referida aldeia, a tasquinha da “Tia Amélia” encontra-se em processo de ampliação, e a residência paroquial foi autorizada a instalar um restaurante, como "medida de contingência para acudir ao surto turístico”. Portanto, se
por um lado, estas alterações podem ser positivas, na medida em que irão
possibilitar mais estruturas aos turistas, e irão trazer mais dinheiro para a
aldeia, será que, por outro lado, isto não acabará por descaracterizar uma
aldeia considerada “monumento nacional”? Se aliarmos a isto o facto da
indústria nacional também ter muita dificuldade em disputar um espaço com as
indústrias que estão a vir de fora, um dos grandes “malefícios” do aumento do
turismo em Portugal pode ser o comércio tradicional português não conseguir competir, e sucumbir a padronização (como aliás já acontece em tantos
outros países com tradições turísticas). Hoje,
tanto faz estarmos em Lisboa ou em Berlim porque as lojas que encontramos são as
mesmas, a variedade entre o que elas oferecem é diminuta, a padronização é cada
vez maior, e o que é próprio (tradicional) de cada país cada vez mais caro e
raro de encontrar.
Além
disso, como as políticas de arrendamento, sobretudo em Lisboa, não têm
beneficiado os comerciantes tradicionais que se encontram nas zonas históricas,
casas icónicas do comércio tradicional lisboeta, como a pastelaria suíça, a joalharia Correia e a loja de decoração Ana Salgueiro já anunciaram que irão fechar as suas portas para, se calhar, dar lugar à um comércio que vêm de fora, e que
tende a descaracterizar o centro histórico desta cidade.
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| Foto: site da Pastelaria Suíça |
Para quem vem de fora, não conhece o que é genuinamente
português e, portanto, não tem parâmetros de
comparação, isto não é necessariamente mau. Por isso, mesmo antes de fecharem
as portas, muitas destas lojas já vinham perdendo, gradualmente, a qualidade…
Deixaram de ter a necessidade de agradar aos portugueses, uma vez que os
turistas tornaram-se os clientes principais. Logo, ter-se um comércio cada vez mais voltado para o turista pode significar que manter a tradição, e
os padrões de qualidade que isto exige, talvez já não faça muito sentido.
Por
exemplo, quem não conhece a gastronomia portuguesa, pode apreciar ou não
qualquer coisa que comer em Portugal, sem comer, de facto, algo genuinamente
português. Há ainda aqueles que, justamente por não a conhecerem, preferem não
arriscar, e hoje já conseguem encontrar muitas opções, como os diversos fast food e pizzarias espalhados pelo país. Perde-se, por
exemplo, a “Pastelaria do seu Zé”, e abre-se mais uma pastelaria Fast Food, voltada para turistas ou para aqueles que não têm memória.
Apesar de
estar aqui há “somente” 18 anos, já consigo notar uma grande diferença na
oferta, qualidade, e preços que são praticados hoje em Portugal. A oferta e os
preços aumentaram, mas a qualidade do que é oferecido nem sempre… Se para mim
isto tem sido percetível, para uma geração de portugueses que possui a memória
da diferença entre o doce d´ovos, o creme de pasteleiro, ou o chantilly que cada pastelaria produzia, imagino
que hoje seja fácil perceber que o “pré-fabricado” invadiu grande parte das
pastelarias portuguesas, não mais deixando nenhum diferencial entre elas. Será a morte do comércio tradicional português? Se sim, será que isso realmente interessa uma geração mais jovem (aquela que hoje pode fazer a diferença), que não têm a memória de "como foi"? Uma geração que tem aprendido que a globalização, a padronização, é sinônimo de cosmopolitismo?
Por Juliana Iorio
Jornalista Freelancer
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