sexta-feira, maio 10, 2019

Por que e Para que uma Feira do Empreendedorismo Migrante?


O fim de semana passado estive na segunda edição da Feira do Empreendedorismo Migrante (FEM), promovida pela Associação Lusofonia Cultura e Cidadania, que aconteceu nos jardins do Palácio Pimentel/ Museu de Lisboa (o lugar em sí já valeu o passeio!). Mas a par das tradicionais “barraquinhas”, com artesanatos e iguarias de diversos países, esta feira foi mais um ponto de encontro entre pessoas de várias nacionalidades, com ideias empreendedoras, muitas das quais ainda em estado embrionário.
Por um lado, foi interessante observar um aumento de indivíduos de nacionalidades que, até então, não eram muito expressivas em Portugal, como venezuelanos, colombianos, filipinos, etc. Por outro lado, e tendo em conta que, segundo o site do evento, esta feira contou com o dobro de expositores do ano passado (cerca de 100), notou-se também uma maior incidência dos indivíduos dos países lusófonos, até mesmo pelo número de startups que têm surgido com os olhos postos nos mercados africano e brasileiro.
Marcelo Roriz, por exemplo, consultor migratório da empresa “Consultoria em Portugal”, revelou que, apesar de prestar serviços para imigrantes de qualquer nacionalidade, atualmente são os brasileiros, com um nível socioeconómico mais elevado, que mais os têm procurado. Este tipo de consultoria é prestada para indivíduos que ainda se encontram no Brasil, e desejam investir, trabalhar, estudar e viver legalmente em Portugal. No entanto, e tendo em vista a alta dos preços no mercado imobiliário em Lisboa, Marcelo também disse que, neste momento, a procura tem sido maior pela zona de Setúbal. “Só no próximo mês iremos receber 170 brasileiros, que já vêm com as situações regularizadas e as casas arrendadas”, revelou.
De facto, diversas têm sido as notícias que têm dado conta do aumento da comunidade brasileira em Portugal. Só os Jornais Diário de Notícias (em Portugal) e Folha de São Paulo (no Brasil) publicaram, no passado mês de Abril, 11 notícias sobre brasileiros em Portugal. Entre estas, o tema mais abordado prendeu-se, justamente, com o aumento desta comunidade no país. Daí o porque deste tipo de feira ser necessária. O número de estrangeiros residentes em Portugal voltou a crescer (de acordo com o Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo de 2017) e, entre eles, o número de brasileiros (5,1% a mais do que em 2016, totalizando 85.426). Destes, muitos têm vindo com o intuito de investir no país (o número de vistos para independentes e investidores duplicou de 2016 para 2017, segundo o Relatório Estatístico Anual de 2018 do Observatório das Migrações). Por isso, o principal objetivo da FEM foi “disponibilizar apoio, divulgação, promoção, formação, desenvolvimento de competências, para que estes indivíduos possam criar os seus negócios, redes de contatos e oportunidades de financiamento e investimento”.
No entanto, entre a necessidade de se existir eventos como este (por que) e os mesmos conseguirem atingir os objetivos a que se propuseram (para que), existe uma grande diferença: Vejamos, por exemplo, o caso de um projeto bastante interessante: o “Empreendedor Online.com”. Trata-se de um serviço de apoio à divulgação de negócios na Web, que além de desenvolver e administrar websites, pretende oferecer consultores especializados na área do cliente, a fim de maximizar a eficácia do negócio. Neste sentido, especialistas de diversas áreas poderão se unir ao projeto, enquanto “associado” ou “mentor social”, e prestar os seus serviços quando solicitados. É, sem dúvida, uma ideia bastante boa, mas que ainda precisa de apoio, sobretudo quanto a sua divulgação e promoção. E digo isto em tom de crítica construtiva, porque penso que uma empresa que pretende prestar um serviço de comunicação, deve tomar mais cuidado ao divulgar um folder explicativo escrito, “Saiba mais em: Projeto Empreendedores Online.com”, quando na realidade o nome do projeto - aquele que iremos pesquisar na Net - é Empreendedor (no singular e não no plural). Neste sentido, é para isso que servem estas feiras: Para darem este tipo de feedback e, assim, fazerem com que ideias giras como essa sejam trabalhadas e possam vingar no futuro.
É preciso, por exemplo, estar mais atento à comunicação, divulgação, e mesmo aproximação com um potencial cliente. Um dos expositores que chamou a minha atenção na FEM foi a “Associação Adoro Ser Mulher” - uma associação que pretende unir em rede o empreendedorismo feminino dos países e comunidades lusófonas. Lá também recebi um folder explicativo mas, diferentemente do que se passou no stand do “Empreendedor.com”, em nenhum momento, nenhuma das mulheres da “Adoro ser Mulher”, veio ter comigo para saber se eu pretendia maiores informações. Para um evento onde se pretende fazer networking, não achei essa postura muito produtiva, o que, uma vez mais, reforça a necessidade de uma maior disseminação deste tipo de eventos para o desenvolvimento de competências, sobretudo sociais e de gestão, que posteriormente poderão consolidar ideias. 
Apesar de em Portugal já estarmos mais habituados e ver coxinhas de galinha e pão de queijo à venda nos cafés, os imigrantes que para cá têm vindo almejam investir para além da restauração. É certo que muitos destes empreendedores não o eram em seus países de origem e que, por isso, apesar de boas e inovadoras ideias, poderão não saber colocá-las em prática. Se já é difícil fazer vingar um negócio no seu próprio país, cujas necessidades e a cultura da comunidade se conhece a partida, quão mais difícil será fazer isso em outro país?

domingo, maio 05, 2019

Aceitação, Superação, Improvisação, Solidão, Estereotipação... uma questão de bom senso ou senso comum?

Pelo jeito, nenhum dos dois.
Estive ontem na Primeira Edição do TEDxULisboa que, para quem não sabe, trata-se de uma série de conferências, já realizada em diversos países, destinada a disseminação de ideias (TED significa Technology, Entertainment, Design), que foi criada em 1984 por uma organização sem fins lucrativos, a Sapling nos Estados Unidos, para debater tecnologia e design. No entanto, com o tempo, os temas abordados por essas "talks" de no máximo 18 minutos, passaram a ser os mais variados possíveis, e, se calhar, é aí que está o "x" da questão (aliás, o "x", em TEDx, quer dizer que o evento é organizado de forma independente, o que, por um lado, dá mais liberdade para os países  tratarem temas mais próximos das suas realidades, mas, por outro lado, pode desvirtuar-se, um pouco, da ideia original). A meu ver, o TEDxULisboa, ao tratar de temas como, a "aceitação da homossexualidade", "a manutenção da motivação para a superação de problemas", "a importância da improvisação na vida", "a solidão de jovens, adultos e idosos" e a "estereotipação da ciência e dos cientistas em Portugal", entre outros, deixa um misto de sentimentos:
- Por um lado, preocupa-me que esse tipo de debate, para mim tão básico e óbvio (mas admito que talvez sinta isso devido a minha idade) seja tão necessário (visto a quantidade de jovens presentes), e seja tão ovacionado por jovens que parecem terem ouvido determinados "clichês" (que, à mim, remetem à questões de bom senso ou de senso comum) pela primeira vez.
- Por outro lado, se, de facto, existe este "gap" na juventude, ainda bem que existem eventos como esse (na minha época a gente ia para psicólogo mesmo!).
É preciso, no entanto, diferenciar "bom senso" de "senso comum". Enquanto o último pode refletir uma opinião, que as vezes até pode estar errada ou carregada de preconceito, o primeiro está ligado a ideia de sensatez, ou seja, a capacidade intuitiva de distinguir a melhor conduta em determinadas situações. Resumindo, enquanto o "senso comum" acaba por ser o modo de pensar da maioria das pessoas, de uma comunidade, de uma sociedade, num determinado período de tempo (tendo como base o conhecimento adquirido pelo homem a partir das suas experiências, vivências e observações), o "bom senso", como disse Aristóteles " é o elemento central da conduta ética".
Neste contexto, pode-se dizer que o TEDx vem para debater o "senso comum", colocando em causa determinados paradigmas (o que não é mal, desde que se tenha cuidado com as ideias que são disseminadas e com quem as dissemina, ou seja, desde que não coloque em causa o "bom senso" das pessoas), mas acaba por debater, também, o "bom senso", ou seja, a conduta ética do que podemos ou não fazer, visto que, atualmente, estas condutas também passaram a ser questionadas (e, nesse aspecto, já não sei se isto é tão bom…)
Mas a questão de fundo aqui não é a capacidade dessas palestras fazerem com que os jovens pensem em ideias que possam alterar o "senso comum", mas sim, em ter que haver palestras como estas para fazer com que os jovens pensem e debatam sobre determinados assuntos, questionem o "senso comum", e "aprendam" a ter "bom senso".
A questão é o TEDx em Lisboa, e em 2019, parecer mais um evento de "autoajuda", não muito diferente de quando vamos à missa de um padre mais moderno nos dias de hoje, e o quanto estes jovens parecem precisar de ajuda. Ainda que toda a ideia de moral tenha advindo da religiosidade, como devido ao seu caráter utilitário esta ideia tornou-se secular (Max Weber), as demandas morais quando descumpridas passaram a despertar os sentimentos de culpa, ressentimento e autodesvalorização (Jessé Souza), e, ao que tudo indica, a humanidade ainda precisa de ajuda para lidar com isso.
Sobre Solidão em adultos...

sábado, março 30, 2019

Minha Tese de Doutoramento no repositório da Universidade de Lisboa

Para quem estiver interessado, a minha tese de Doutoramento, "Trajetórias de Mobilidade Estudantil Internacional : estudantes brasileiros no ensino superior em Portugal", já está disponível para leitura no repositório da Universidade de Lisboa: http://hdl.handle.net/10451/37454

quinta-feira, março 14, 2019

Refugiados “à borda do prato”

Minha singela contribuição para a Cinco Letras, escola criativa!
https://cincoletras.com.br/refugiados-a-borda-do-prato/
Leia aqui!

quarta-feira, fevereiro 27, 2019

A construção midiática do “eldorado” lusitano a partir dos novos fluxos migratórios de brasileiros para Portugal

2018 acabou com a publicação de um artigo científico, pela Revista de Ciências Sociais "SÉCULO XXI" (Brasil), que eu tive o prazer de escrever com a minha antiga colega de Mestrado em Comunicação e Indústrias Culturais da Universidade Católica Portuguesa, Elaine Javorski Souza!
"A construção midiática do “eldorado” lusitano a partir dos novos fluxos migratórios de brasileiros para Portugal"

A importância das Redes Sociais, da Internet e das Redes Sociais Online na mobilidade dos estudantes brasileiros do ensino superior para Portugal

E acaba de ser publicado - v. 33, n. 2 (2018) - mais um artigo científico de minha autoria. Desta vez, pelos Cadernos de Estudos Sociais da Fundação Joaquim Nabuco (Brasil):

Estudantes brasileiros no ensino superior português: construção do projeto migratório e intenções de mobilidade futura

É com muita satisfação que partilho convosco a publicação pela FINISTERRA - Revista Portuguesa de Geografia - vol. 53 n.º 109 (2018) - de mais um artigo científico de minha autoria e de Lucinda Fonseca:

Social class inequalities and international student mobility

Feliz 2019!
Este ano começa com a publicação de mais um artigo científico de minha autoria e de Sónia Pereira, publicado pela Revue belge de géographie - Belgeo (3 | 2018).
Confiram em: 

quarta-feira, outubro 03, 2018

O capital linguístico e as migrações internacionais: uma análise da influência deste capital na escolha dos estudantes brasileiros do ensino superior por Portugal

Foi publicado hoje pelo Caderno Eletrônico de Ciências Sociais (CADECS), mais um artigo científico de minha autoria: "O capital linguístico e as migrações internacionais: uma análise da influência deste capital na escolha dos estudantes brasileiros do ensino superior por Portugal"
Acesso em: http://periodicos.ufes.br/cadecs/article/view/21533/14290

segunda-feira, julho 30, 2018

Por que tudo fecha durante as férias em Portugal?

Por Juliana Iorio
Jornalista Freelancer
Essa é uma das perguntas que mais nos fazemos quando chegamos em Portugal e nos deparamos com tudo fechado durante o mês de Agosto. Até entendermos que o comércio em Portugal é feito, maioritariamente, de microempresas familiares, e que para as família passarem as férias juntas precisam fechar os estabelecimentos, demora... Até mesmo porque, para quem vem de grandes cidades no Brasil, isso não existe. Ou, pelo menos, é muito raro de se ver...
Portanto, os hábitos e costumes da cultura portuguesa ainda continuam a estranhar muitos imigrantes e turistas, principalmente aqueles que julgam conhecer bem a cultura deste país, como é o caso dos brasileiros.
Esses dias, em uma comunidade de brasileiros em Lisboa no Facebook, uma brasileira perguntou o que os participantes achavam ser mais diferente em Portugal, em comparação com o Brasil, e as respostas foram as mais variadas possíveis! Desde diferenças concretas nos hábitos alimentares, como o acompanhamento nas refeições ser sempre a batata e não o arroz, como a pastelaria ser a base de “doce d´ovos” ou se tomar sopa em todas as refeições; até diferenças de costumes de higiene, como o palitar os dentes à mesa e não escovar os dentes após cada refeição.

Entretanto, enquanto uns elogiavam a educação dos portugueses, dizendo que surpreenderam-se positivamente com os carros que param na faixa de peões (pedestres) por exemplo, outros reclamavam da maneira com que se conduz (dirige) em Portugal e do facto dos portugueses serem “ranzinzas” e preconceituosos. Opiniões a parte, foi muito interessante perceber como pessoas de uma mesma nacionalidade conseguem ter experiências tão distintas estando num mesmo país, e como os estranhamentos são tão importantes quando queremos entender as diferenças culturais desse país.

Mas o que me chamou mais atenção neste post foi o comentário de uma das participantes que disse: “… convivendo com eles, entendi que aquele modo “grosseiro” de se comportar era entre eles próprios também... Então eu tinha duas opções, voltar pra casa e escolher um lugar em que eu me adaptasse melhor, ou me adequar. Escolhi a primeira opção”. É isso! Mais uma vez o que está em causa não é se o português é grosseiro ou não, mas a nossa capacidade de aceitar que o relacionamento em Portugal é diferente do Brasil. É lógico que sempre podemos questionar as diferenças e percebê-las de forma mais positiva ou negativa. Mas o que nos faz permanecer no país (quando temos escolha) é a capacidade que temos de aceitar as diferenças e relevar aquilo que consideramos ser mais negativo. E esse parêntesis sobre “ter-se escolha” é muito importante, porque nem todos os que emigram têm condições de retornarem, se não gostarem da experiência.

Quando eu cheguei em Portugal questionava tudo o que era diferente do Brasil, sem pensar se era melhor ou pior. Algumas coisas simplesmente me incomodavam porque eram diferentes daquilo com que eu estava acostumada. Por exemplo, me irritava não haver ralo por toda a casa, para eu poder jogar água no chão, e puxar com o rodo! Eu não estava habituada a usar uma esfregona! Eu achava muito estranho ter que pendurar as roupas lavadas do lado de fora das janelas. Como assim? Além de feio, as roupas ficavam sujas! E comer sopa, inclusive no verão? Mas onde estavam as saladas? Contudo, com o tempo, além de aceitar esses hábitos, fui os incorporando ao meu modo de vida. Não é algo que eu tenha feito de maneira consciente, mas o facto é que hoje, quando vou ao Brasil, sinto falta da sopa mesmo estando um calor de quarenta graus! Hoje acho muito mais democrático a possibilidade de se poder fumar numa esplanada em Portugal, e me irrita profundamente não se poder fumar em lugar nenhum no Brasil. Hoje sei que corro risco de ser atropelada no Brasil, quando atravesso na faixa de pedestre sem me certificar se o carro irá mesmo parar. Ou seja, hoje, algumas coisas que me irritavam em Portugal, agora me irritam no Brasil. Acho que todo imigrante depois de muito tempo vivendo em outro país, acaba por incorporar as diferenças… É como se diz por cá: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se!”.

Mas eu continuo a achar que faz mais sentido a casa ter uma "área de serviço", como no Brasil, onde colocamos as máquinas de lavar e secar roupa, sem falar no tanque e no varal (estendal), do que ter essas máquinas na cozinha e continuar a estender as roupas à janela! Eu continuo a achar estranho todo mundo querer tirar férias em Agosto (apesar de saber que isso tem a ver com o clima - ser verão em Portugal nesta época do ano - e com as férias escolares), e muitos lugares, principalmente restaurantes em locais turísticos, fecharem durante todo o mês de Agosto! Não vejo muito lógica, mesmo em microempresas familiares, fecharem no período em que poderiam ter mais lucro devido ao turismo... Mas, se calhar, eles é que têm razão, pois dão mais importância a qualidade de vida, em passar tempo com a família, do que em ganhar dinheiro... De qualquer modo, e plagiando o cantor português Rui Veloso, hoje entre mim e Portugal, “é muito mais o que nos une, do que aquilo que nos separa”.

Não encontrei o autor
"Não vejo muito lógica, mesmo em microempresas familiares, fecharem no período em que poderiam ter mais lucro devido ao turismo... Mas, se calhar, eles é que têm razão, pois dão mais importância a qualidade de vida, em passar tempo com a família, do que em ganhar dinheiro..." 

domingo, julho 08, 2018

A morte do comércio tradicional português, e os benefícios e malefícios do turismo, e da globalização


É certo que o aumento de turistas tem levado muitos para as zonas menos exploradas de Portugal. Não é só Lisboa que se tem “beneficiado” com isto. Dia desses lí que uma aldeia, em Arcos de Valdevez (Região Norte), havia registado um “surto turístico” nunca antes visto. No entanto, também é certo que com esse “boom” turístico, as dificuldades que o comércio tradicional português tem enfrentado para conseguir manter as suas tradições, estão a ser cada vez maiores. Ora vejamos: Na referida aldeia, a tasquinha da “Tia Amélia” encontra-se em processo de ampliação, e a residência paroquial foi autorizada a instalar um restaurante, como "medida de contingência para acudir ao surto turístico. Portanto, se por um lado, estas alterações podem ser positivas, na medida em que irão possibilitar mais estruturas aos turistas, e irão trazer mais dinheiro para a aldeia, será que, por outro lado, isto não acabará por descaracterizar uma aldeia considerada “monumento nacional”? Se aliarmos a isto o facto da indústria nacional também ter muita dificuldade em disputar um espaço com as indústrias que estão a vir de fora, um dos grandes “malefícios” do aumento do turismo em Portugal pode ser o comércio tradicional português não conseguir competir, e sucumbir a padronização (como aliás já acontece em tantos outros países com tradições turísticas). Hoje, tanto faz estarmos em Lisboa ou em Berlim porque as lojas que encontramos são as mesmas, a variedade entre o que elas oferecem é diminuta, a padronização é cada vez maior, e o que é próprio (tradicional) de cada país cada vez mais caro e raro de encontrar.
Além disso, como as políticas de arrendamento, sobretudo em Lisboa, não têm beneficiado os comerciantes tradicionais que se encontram nas zonas históricas, casas icónicas do comércio tradicional lisboeta, como a pastelaria suíça, a joalharia Correia e a loja de decoração Ana Salgueiro já anunciaram que irão fechar as suas portas para, se calhar, dar lugar à um comércio que vêm de fora, e que tende a descaracterizar o centro histórico desta cidade.
Foto: site da Pastelaria Suíça
Para quem vem de fora, não conhece o que é genuinamente português e, portanto, não tem parâmetros de comparação, isto não é necessariamente mau. Por isso, mesmo antes de fecharem as portas, muitas destas lojas já vinham perdendo, gradualmente, a qualidade… Deixaram de ter a necessidade de agradar aos portugueses, uma vez que os turistas tornaram-se os clientes principais. Logo, ter-se um comércio cada vez mais voltado para o turista pode significar que manter a tradição, e os padrões de qualidade que isto exige, talvez já não faça muito sentido.
Por exemplo, quem não conhece a gastronomia portuguesa, pode apreciar ou não qualquer coisa que comer em Portugal, sem comer, de facto, algo genuinamente português. Há ainda aqueles que, justamente por não a conhecerem, preferem não arriscar, e hoje já conseguem encontrar muitas opções, como os diversos fast food e pizzarias espalhados pelo país. Perde-se, por exemplo, a “Pastelaria do seu Zé”, e abre-se mais uma pastelaria Fast Food, voltada para turistas ou para aqueles que não têm memória.
Apesar de estar aqui há “somente” 18 anos, já consigo notar uma grande diferença na oferta, qualidade, e preços que são praticados hoje em Portugal. A oferta e os preços aumentaram, mas a qualidade do que é oferecido nem sempre… Se para mim isto tem sido percetível, para uma geração de portugueses que possui a memória da diferença entre o doce d´ovos, o creme de pasteleiro, ou o chantilly que cada pastelaria produzia, imagino que hoje seja fácil perceber que o “pré-fabricado” invadiu grande parte das pastelarias portuguesas, não mais deixando nenhum diferencial entre elas. Será a morte do comércio tradicional português? Se sim, será que isso realmente interessa uma geração mais jovem (aquela que hoje pode fazer a diferença), que não têm a memória de "como foi"? Uma geração que tem aprendido que a globalização, a padronização, é sinônimo de cosmopolitismo?
Por Juliana Iorio
Jornalista Freelancer

quinta-feira, julho 05, 2018

Você já ouviu falar da Universidade Europeia?

A Universidade Europeia (UE) é uma instituição de ensino privada em Lisboa (Portugal), que pertence ao grupo Laureate International Universities, e existe desde 2013. Apesar deste grupo contar com 3 instituições em Portugal (para além da UE, o IADE - Creative University e o IPAM - Instituto Português de Administração de Marketing), hoje, a convite da UE, os membros da Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal foram conhecer um dos seus campus de perto.


Quem passa em frente ao Campus da Quinta do Bom Nome (localizado na Estrada da Correia, nº53), não consegue ter a dimensão do que vai lá dentro! Trata-se de um empreendimento situado num antigo Palácio em Lisboa, que foi restaurado e oferece atualmente excelentes condições para quem quiser lá estudar. Com a particularidade de ficar aberto 7 dias por semana e 24 horas por dia, os estudantes podem lá entrar até a meia noite e a partir das 8h da manhã. Entre este período, apesar de não se poder entrar, quem já lá estiver e quiser passar a noite estudando, pode ficar! Afinal o espaço oferece uma biblioteca, salas de estudo, para além de um lounge exterior. Mas é lógico que se, lá pelas 3 da manhã, o estudante quiser ir-se embora, pode ir!
Para além de conferir graus acadêmicos na licenciatura, mestrado e doutoramento, oferece cursos de pós-graduação em áreas como gestão, direito, psicologia, recursos humanos, marketing, comunicação, desporto (em parceria com a UE Real Madrid), informática e tecnologias, gestão hoteleira e turismo.
Apesar de ser uma universidade nova, já conta com muitos estudantes internacionais e tem investido na atração dos mesmos. Hoje possui cursos ministrados em inglês, mas também procura captar os estudantes de nacionalidade brasileira, marcando a sua presença em eventos no Brasil. Trata-se, portanto, de mais uma opção para os estudantes brasileiros que pretendam estudar em Portugal!

Interior do Campus da Quinta do Bom Nome




quinta-feira, junho 14, 2018

Artigo de Opinião, publicado em 14 de Junho de 2018, pelo jornal Diário de Notícias


"Ligações migratórias contemporâneas: Brasil, Estados Unidos e Portugal"

No capítulo 8, "Estudantes brasileiros no ensino superior português: Quais as motivações para a escolha de Portugal e por que retornam ao Brasil?", escrito no início do meu doutoramento, em 2015 (no âmbito de um projeto de pesquisa financiado pela CAPES e FCT, com participação do NEDER, do Mestrado de Gestão Integrada do Território, da Universidade Vale do Rio Doce - UNIVALE, e do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, da Universidade de Lisboa - IGOT/ UL); procuro apresentar os dados em que me baseei antes de sair a campo, para além de alguns depoimentos de estudantes brasileiros do ensino superior que estiveram em Portugal, mas já haviam retornado ao Brasil.
Trata-se, portanto, de um capítulo introdutório ao estudo que venho desenvolvendo através do meu projeto de tese: "Trajetórias de mobilidade estudantil internacional: estudantes brasileiros no ensino superior em Portugal"

segunda-feira, junho 04, 2018

As Feiras Medievais em Portugal

Quem me conhece sabe que eu adoro as chamadas "Feiras Medievais", "Mercados Quinhentistas, Setecentistas, etc", em Portugal. A primeira que fui, realizou-se em Óbidos, e a partir de então não parei mais de ir! Na Grande Lisboa já fui em todas, desde Sintra, Queluz, até São Domingos de Rana, Montijo, chegando em Palmela. No Algarve, estive numa das que mais gostei, a de Castro Marim. No entanto, de uns anos para cá, as feiras medievais multiplicaram-se e perderam a sua principal característica, ser medieval! Isso fez com que o ano passado, eu não fosse a nenhuma delas.

Este ano, porém, resolvi ir a uma que já havia ouvido falar muito bem: A de Torres Novas.


Sob o mote “A Salvação do Corpo - Mestre António, físico-mor de D. João II”, e intitulada como sendo uma “Feira de Época”, não defraudou as minhas expectativas, pois manteve-se fiel à preservação das memórias da história. Para uma brasileira, proveniente do “novo continente”, foi muito interessante ver como Portugal era na época de Dom João II.

A feira, que realizou-se entre 30 de Maio e 3 de Junho, estava na sua nona edição, e como eu não havia ido em outras, não tenho meios de comparação. Mas no que se refere a esta, posso dizer que foi, sem dúvida, uma das melhores em que já fui em Portugal.

A começar pelo facto da cidade inteira viver a feira. Não é uma praça, um recinto, um lugar, mas todas a “cidade velha”, fazendo com que, para que entremos nela, sejamos obrigados a deixar o carro em parques de estacionamento fora do recinto. Isto, por si só, já nos faz regressar no tempo, pois entramos num local sem circulação de carros.
Acampamento de Arqueiros
Toda a feira, para além de barracas com produtos e “comes e bebes” servidos a preceito, tinha áreas temáticas, como o “acampamento de arqueiros”, onde estava perfeitamente recriada a vida quotidiana através dos ofícios militares e civis da época, ou a “Mouraria”, testemunho sempre presente do legado islâmico entre cristãos; com pessoas vestidas a rigor e verdadeiros momentos de recriação histórica. Destaco ainda o espetáculo de fogo “INFIRMUS MORBUS”, que aconteceu na primeira madrugado do evento.
Mouraria
Mouraria






Dromedários

Penso que é uma experiência que todos deveriam ter, afinal, não é todos os dias que nos deparamos com dromedários no meio da rua!

quinta-feira, maio 03, 2018

Artigo de Opinião, publicado em 3 de Maio de 2018, pelo Jornal Diário de Notícias

Olá pessoal! Saindo do tema dos meus últimos artigos no DN, mais relacionados com a divulgação do que tenho encontrado através do Doutorado, hoje resolvi falar sobre o que se passa no Brasil. Uma análise de uma brasileira em Portugal.
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