sábado, maio 11, 2019

Um palco, 6 bailarinos, 30 lâmpadas e temos um espectáculo de dança que é quase uma instalação artística!

Estreou ontem, dia 10 de Maio, mais um espectáculo do Quorum Ballet Companhia de Dança e... uma vez mais, foi MUITO BOM!
Se você não é português (e mais especificamente da Amadora), pode nunca ter ouvido falar deles, apesar de existirem desde 2005 e já terem apresentado 690 espectáculos, em 18 países diferentes! (mas se você ainda não ouviu falar deles saiba que o problema não está, certamente, na qualidade dos espectáculos, mas sim na comunicação e divulgação dos mesmos. Só que não irei me alongar sobre isso porque, afinal, este não é o objetivo deste post!)

Eu já tinha tido o privilégio de assistir o maravilhoso "Saudade - Back to Fado" e agora tive a oportunidade de ir à estreia de "IMPULSO". Sob a direção artística do coreógrafo e bailarino Daniel Cardoso, uma vez mais o Quorum Ballet mostrou que, para além da qualidade dos seus bailarinos - ainda que fosse notório o nervosismo e alguma falta de confiança normais em uma estreia (mas nada que com mais ensaios não se possa ajustar), o sucesso dos seus espectáculos está na CRIATIVIDADE com que usa elementos, que apesar de não serem inéditos em espectáculos de dança, são inéditos na maneira como esta companhia os utiliza.

Em "Back to Fado" a água foi o elemento presente e, desta vez, foi a LUZ! E aqui não estou falando da iluminação de palco, mas de 30 lâmpadas que, para além de comporem o cenário desse espectáculo, foram elementos essenciais, e participaram ativamente, das coreografias que ali foram criadas.


Quem me conhece sabe que fiz ballet clássico e depois me apaixonei pelo Flamenco. Ou seja, a dança contemporânea nunca foi uma paixão para mim porque sempre a considerei "pobre"... composta por um excesso de repetição de movimentos que, por vezes, tornam os espectáculos cansativos. Por isso mesmo, o bailarino contemporâneo acaba por se destacar muito mais pela interpretação que dá às coreografias do que propriamente pela técnica (muito mais exigente na formação clássica). Portanto, o que me conquistou no Quorum Ballet foi, em primeiro lugar, a maneira com a qual os seus bailarinos interpretam as coreografias. 

Em "IMPULSO" mais uma vez eles foram capazes de interpretar sentimentos, emoções… algo que "pulsasse" rápido (como um coração que bate por amor) ou devagar (como um coração que quase para de bater por causa de uma dor). Isso acompanhado por 30 lâmpadas que desciam do teto sobre o palco, acendendo e apagando ao ritmo de cada música, fez com  que os diferentes tipos de impulsos, as diferentes formas de pulsar, fossem interpretadas não só com a dança dos corpos, mas também com a dança das luzes. Tratou-se, portanto, não só de um espetáculo de dança, mas de técnica e criatividade. E aí estão os outros elementos que fizeram com que eu me rendesse à beleza dos espectáculos do Quorum Ballet. A combinação da dança com elementos como a água ou a luz, por exemplo, faz com que tenhamos mais do que um espectáculo de dança, uma verdadeira instalação artística!

Mais informações sobre o espectáculo IMPULSO em: https://quorumballet.com/en/events/impulso/

Saiba mais sobre o Quorum Ballet neste vídeo do programa televisivo "Feitos em Portugal" da RTP2

sexta-feira, maio 10, 2019

Por que e Para que uma Feira do Empreendedorismo Migrante?


O fim de semana passado estive na segunda edição da Feira do Empreendedorismo Migrante (FEM), promovida pela Associação Lusofonia Cultura e Cidadania, que aconteceu nos jardins do Palácio Pimentel/ Museu de Lisboa (o lugar em sí já valeu o passeio!). Mas a par das tradicionais “barraquinhas”, com artesanatos e iguarias de diversos países, esta feira foi mais um ponto de encontro entre pessoas de várias nacionalidades, com ideias empreendedoras, muitas das quais ainda em estado embrionário.
Por um lado, foi interessante observar um aumento de indivíduos de nacionalidades que, até então, não eram muito expressivas em Portugal, como venezuelanos, colombianos, filipinos, etc. Por outro lado, e tendo em conta que, segundo o site do evento, esta feira contou com o dobro de expositores do ano passado (cerca de 100), notou-se também uma maior incidência dos indivíduos dos países lusófonos, até mesmo pelo número de startups que têm surgido com os olhos postos nos mercados africano e brasileiro.
Marcelo Roriz, por exemplo, consultor migratório da empresa “Consultoria em Portugal”, revelou que, apesar de prestar serviços para imigrantes de qualquer nacionalidade, atualmente são os brasileiros, com um nível socioeconómico mais elevado, que mais os têm procurado. Este tipo de consultoria é prestada para indivíduos que ainda se encontram no Brasil, e desejam investir, trabalhar, estudar e viver legalmente em Portugal. No entanto, e tendo em vista a alta dos preços no mercado imobiliário em Lisboa, Marcelo também disse que, neste momento, a procura tem sido maior pela zona de Setúbal. “Só no próximo mês iremos receber 170 brasileiros, que já vêm com as situações regularizadas e as casas arrendadas”, revelou.
De facto, diversas têm sido as notícias que têm dado conta do aumento da comunidade brasileira em Portugal. Só os Jornais Diário de Notícias (em Portugal) e Folha de São Paulo (no Brasil) publicaram, no passado mês de Abril, 11 notícias sobre brasileiros em Portugal. Entre estas, o tema mais abordado prendeu-se, justamente, com o aumento desta comunidade no país. Daí o porque deste tipo de feira ser necessária. O número de estrangeiros residentes em Portugal voltou a crescer (de acordo com o Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo de 2017) e, entre eles, o número de brasileiros (5,1% a mais do que em 2016, totalizando 85.426). Destes, muitos têm vindo com o intuito de investir no país (o número de vistos para independentes e investidores duplicou de 2016 para 2017, segundo o Relatório Estatístico Anual de 2018 do Observatório das Migrações). Por isso, o principal objetivo da FEM foi “disponibilizar apoio, divulgação, promoção, formação, desenvolvimento de competências, para que estes indivíduos possam criar os seus negócios, redes de contatos e oportunidades de financiamento e investimento”.
No entanto, entre a necessidade de se existir eventos como este (por que) e os mesmos conseguirem atingir os objetivos a que se propuseram (para que), existe uma grande diferença: Vejamos, por exemplo, o caso de um projeto bastante interessante: o “Empreendedor Online.com”. Trata-se de um serviço de apoio à divulgação de negócios na Web, que além de desenvolver e administrar websites, pretende oferecer consultores especializados na área do cliente, a fim de maximizar a eficácia do negócio. Neste sentido, especialistas de diversas áreas poderão se unir ao projeto, enquanto “associado” ou “mentor social”, e prestar os seus serviços quando solicitados. É, sem dúvida, uma ideia bastante boa, mas que ainda precisa de apoio, sobretudo quanto a sua divulgação e promoção. E digo isto em tom de crítica construtiva, porque penso que uma empresa que pretende prestar um serviço de comunicação, deve tomar mais cuidado ao divulgar um folder explicativo escrito, “Saiba mais em: Projeto Empreendedores Online.com”, quando na realidade o nome do projeto - aquele que iremos pesquisar na Net - é Empreendedor (no singular e não no plural). Neste sentido, é para isso que servem estas feiras: Para darem este tipo de feedback e, assim, fazerem com que ideias giras como essa sejam trabalhadas e possam vingar no futuro.
É preciso, por exemplo, estar mais atento à comunicação, divulgação, e mesmo aproximação com um potencial cliente. Um dos expositores que chamou a minha atenção na FEM foi a “Associação Adoro Ser Mulher” - uma associação que pretende unir em rede o empreendedorismo feminino dos países e comunidades lusófonas. Lá também recebi um folder explicativo mas, diferentemente do que se passou no stand do “Empreendedor.com”, em nenhum momento, nenhuma das mulheres da “Adoro ser Mulher”, veio ter comigo para saber se eu pretendia maiores informações. Para um evento onde se pretende fazer networking, não achei essa postura muito produtiva, o que, uma vez mais, reforça a necessidade de uma maior disseminação deste tipo de eventos para o desenvolvimento de competências, sobretudo sociais e de gestão, que posteriormente poderão consolidar ideias. 
Apesar de em Portugal já estarmos mais habituados e ver coxinhas de galinha e pão de queijo à venda nos cafés, os imigrantes que para cá têm vindo almejam investir para além da restauração. É certo que muitos destes empreendedores não o eram em seus países de origem e que, por isso, apesar de boas e inovadoras ideias, poderão não saber colocá-las em prática. Se já é difícil fazer vingar um negócio no seu próprio país, cujas necessidades e a cultura da comunidade se conhece a partida, quão mais difícil será fazer isso em outro país?

domingo, maio 05, 2019

Aceitação, Superação, Improvisação, Solidão, Estereotipação... uma questão de bom senso ou senso comum?

Pelo jeito, nenhum dos dois.
Estive ontem na Primeira Edição do TEDxULisboa que, para quem não sabe, trata-se de uma série de conferências, já realizada em diversos países, destinada a disseminação de ideias (TED significa Technology, Entertainment, Design), que foi criada em 1984 por uma organização sem fins lucrativos, a Sapling nos Estados Unidos, para debater tecnologia e design. No entanto, com o tempo, os temas abordados por essas "talks" de no máximo 18 minutos, passaram a ser os mais variados possíveis, e, se calhar, é aí que está o "x" da questão (aliás, o "x", em TEDx, quer dizer que o evento é organizado de forma independente, o que, por um lado, dá mais liberdade para os países  tratarem temas mais próximos das suas realidades, mas, por outro lado, pode desvirtuar-se, um pouco, da ideia original). A meu ver, o TEDxULisboa, ao tratar de temas como, a "aceitação da homossexualidade", "a manutenção da motivação para a superação de problemas", "a importância da improvisação na vida", "a solidão de jovens, adultos e idosos" e a "estereotipação da ciência e dos cientistas em Portugal", entre outros, deixa um misto de sentimentos:
- Por um lado, preocupa-me que esse tipo de debate, para mim tão básico e óbvio (mas admito que talvez sinta isso devido a minha idade) seja tão necessário (visto a quantidade de jovens presentes), e seja tão ovacionado por jovens que parecem terem ouvido determinados "clichês" (que, à mim, remetem à questões de bom senso ou de senso comum) pela primeira vez.
- Por outro lado, se, de facto, existe este "gap" na juventude, ainda bem que existem eventos como esse (na minha época a gente ia para psicólogo mesmo!).
É preciso, no entanto, diferenciar "bom senso" de "senso comum". Enquanto o último pode refletir uma opinião, que as vezes até pode estar errada ou carregada de preconceito, o primeiro está ligado a ideia de sensatez, ou seja, a capacidade intuitiva de distinguir a melhor conduta em determinadas situações. Resumindo, enquanto o "senso comum" acaba por ser o modo de pensar da maioria das pessoas, de uma comunidade, de uma sociedade, num determinado período de tempo (tendo como base o conhecimento adquirido pelo homem a partir das suas experiências, vivências e observações), o "bom senso", como disse Aristóteles " é o elemento central da conduta ética".
Neste contexto, pode-se dizer que o TEDx vem para debater o "senso comum", colocando em causa determinados paradigmas (o que não é mal, desde que se tenha cuidado com as ideias que são disseminadas e com quem as dissemina, ou seja, desde que não coloque em causa o "bom senso" das pessoas), mas acaba por debater, também, o "bom senso", ou seja, a conduta ética do que podemos ou não fazer, visto que, atualmente, estas condutas também passaram a ser questionadas (e, nesse aspecto, já não sei se isto é tão bom…)
Mas a questão de fundo aqui não é a capacidade dessas palestras fazerem com que os jovens pensem em ideias que possam alterar o "senso comum", mas sim, em ter que haver palestras como estas para fazer com que os jovens pensem e debatam sobre determinados assuntos, questionem o "senso comum", e "aprendam" a ter "bom senso".
A questão é o TEDx em Lisboa, e em 2019, parecer mais um evento de "autoajuda", não muito diferente de quando vamos à missa de um padre mais moderno nos dias de hoje, e o quanto estes jovens parecem precisar de ajuda. Ainda que toda a ideia de moral tenha advindo da religiosidade, como devido ao seu caráter utilitário esta ideia tornou-se secular (Max Weber), as demandas morais quando descumpridas passaram a despertar os sentimentos de culpa, ressentimento e autodesvalorização (Jessé Souza), e, ao que tudo indica, a humanidade ainda precisa de ajuda para lidar com isso.
Sobre Solidão em adultos...

sábado, março 30, 2019

Minha Tese de Doutoramento no repositório da Universidade de Lisboa

Para quem estiver interessado, a minha tese de Doutoramento, "Trajetórias de Mobilidade Estudantil Internacional : estudantes brasileiros no ensino superior em Portugal", já está disponível para leitura no repositório da Universidade de Lisboa: http://hdl.handle.net/10451/37454

quarta-feira, fevereiro 27, 2019

A construção midiática do “eldorado” lusitano a partir dos novos fluxos migratórios de brasileiros para Portugal

2018 acabou com a publicação de um artigo científico, pela Revista de Ciências Sociais "SÉCULO XXI" (Brasil), que eu tive o prazer de escrever com a minha antiga colega de Mestrado em Comunicação e Indústrias Culturais da Universidade Católica Portuguesa, Elaine Javorski Souza!
"A construção midiática do “eldorado” lusitano a partir dos novos fluxos migratórios de brasileiros para Portugal"

A importância das Redes Sociais, da Internet e das Redes Sociais Online na mobilidade dos estudantes brasileiros do ensino superior para Portugal

E acaba de ser publicado - v. 33, n. 2 (2018) - mais um artigo científico de minha autoria. Desta vez, pelos Cadernos de Estudos Sociais da Fundação Joaquim Nabuco (Brasil):

Estudantes brasileiros no ensino superior português: construção do projeto migratório e intenções de mobilidade futura

É com muita satisfação que partilho convosco a publicação pela FINISTERRA - Revista Portuguesa de Geografia - vol. 53 n.º 109 (2018) - de mais um artigo científico de minha autoria e de Lucinda Fonseca: