domingo, julho 08, 2018

A morte do comércio tradicional português, e os benefícios e malefícios do turismo, e da globalização


É certo que o aumento de turistas tem levado muitos para as zonas menos exploradas de Portugal. Não é só Lisboa que se tem “beneficiado” com isto. Dia desses lí que uma aldeia, em Arcos de Valdevez (Região Norte), havia registado um “surto turístico” nunca antes visto. No entanto, também é certo que com esse “boom” turístico, as dificuldades que o comércio tradicional português tem enfrentado para conseguir manter as suas tradições, estão a ser cada vez maiores. Ora vejamos: Na referida aldeia, a tasquinha da “Tia Amélia” encontra-se em processo de ampliação, e a residência paroquial foi autorizada a instalar um restaurante, como "medida de contingência para acudir ao surto turístico. Portanto, se por um lado, estas alterações podem ser positivas, na medida em que irão possibilitar mais estruturas aos turistas, e irão trazer mais dinheiro para a aldeia, será que, por outro lado, isto não acabará por descaracterizar uma aldeia considerada “monumento nacional”? Se aliarmos a isto o facto da indústria nacional também ter muita dificuldade em disputar um espaço com as indústrias que estão a vir de fora, um dos grandes “malefícios” do aumento do turismo em Portugal pode ser o comércio tradicional português não conseguir competir, e sucumbir a padronização (como aliás já acontece em tantos outros países com tradições turísticas). Hoje, tanto faz estarmos em Lisboa ou em Berlim porque as lojas que encontramos são as mesmas, a variedade entre o que elas oferecem é diminuta, a padronização é cada vez maior, e o que é próprio (tradicional) de cada país cada vez mais caro e raro de encontrar.
Além disso, como as políticas de arrendamento, sobretudo em Lisboa, não têm beneficiado os comerciantes tradicionais que se encontram nas zonas históricas, casas icónicas do comércio tradicional lisboeta, como a pastelaria suíça, a joalharia Correia e a loja de decoração Ana Salgueiro já anunciaram que irão fechar as suas portas para, se calhar, dar lugar à um comércio que vêm de fora, e que tende a descaracterizar o centro histórico desta cidade.
Foto: site da Pastelaria Suíça
Para quem vem de fora, não conhece o que é genuinamente português e, portanto, não tem parâmetros de comparação, isto não é necessariamente mau. Por isso, mesmo antes de fecharem as portas, muitas destas lojas já vinham perdendo, gradualmente, a qualidade… Deixaram de ter a necessidade de agradar aos portugueses, uma vez que os turistas tornaram-se os clientes principais. Logo, ter-se um comércio cada vez mais voltado para o turista pode significar que manter a tradição, e os padrões de qualidade que isto exige, talvez já não faça muito sentido.
Por exemplo, quem não conhece a gastronomia portuguesa, pode apreciar ou não qualquer coisa que comer em Portugal, sem comer, de facto, algo genuinamente português. Há ainda aqueles que, justamente por não a conhecerem, preferem não arriscar, e hoje já conseguem encontrar muitas opções, como os diversos fast food e pizzarias espalhados pelo país. Perde-se, por exemplo, a “Pastelaria do seu Zé”, e abre-se mais uma pastelaria Fast Food, voltada para turistas ou para aqueles que não têm memória.
Apesar de estar aqui há “somente” 18 anos, já consigo notar uma grande diferença na oferta, qualidade, e preços que são praticados hoje em Portugal. A oferta e os preços aumentaram, mas a qualidade do que é oferecido nem sempre… Se para mim isto tem sido percetível, para uma geração de portugueses que possui a memória da diferença entre o doce d´ovos, o creme de pasteleiro, ou o chantilly que cada pastelaria produzia, imagino que hoje seja fácil perceber que o “pré-fabricado” invadiu grande parte das pastelarias portuguesas, não mais deixando nenhum diferencial entre elas. Será a morte do comércio tradicional português? Se sim, será que isso realmente interessa uma geração mais jovem (aquela que hoje pode fazer a diferença), que não têm a memória de "como foi"? Uma geração que tem aprendido que a globalização, a padronização, é sinônimo de cosmopolitismo?
Por Juliana Iorio
Jornalista Freelancer

quinta-feira, julho 05, 2018

Você já ouviu falar da Universidade Europeia?

A Universidade Europeia (UE) é uma instituição de ensino privada em Lisboa (Portugal), que pertence ao grupo Laureate International Universities, e existe desde 2013. Apesar deste grupo contar com 3 instituições em Portugal (para além da UE, o IADE - Creative University e o IPAM - Instituto Português de Administração de Marketing), hoje, a convite da UE, os membros da Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal foram conhecer um dos seus campus de perto.


Quem passa em frente ao Campus da Quinta do Bom Nome (localizado na Estrada da Correia, nº53), não consegue ter a dimensão do que vai lá dentro! Trata-se de um empreendimento situado num antigo Palácio em Lisboa, que foi restaurado e oferece atualmente excelentes condições para quem quiser lá estudar. Com a particularidade de ficar aberto 7 dias por semana e 24 horas por dia, os estudantes podem lá entrar até a meia noite e a partir das 8h da manhã. Entre este período, apesar de não se poder entrar, quem já lá estiver e quiser passar a noite estudando, pode ficar! Afinal o espaço oferece uma biblioteca, salas de estudo, para além de um lounge exterior. Mas é lógico que se, lá pelas 3 da manhã, o estudante quiser ir-se embora, pode ir!
Para além de conferir graus acadêmicos na licenciatura, mestrado e doutoramento, oferece cursos de pós-graduação em áreas como gestão, direito, psicologia, recursos humanos, marketing, comunicação, desporto (em parceria com a UE Real Madrid), informática e tecnologias, gestão hoteleira e turismo.
Apesar de ser uma universidade nova, já conta com muitos estudantes internacionais e tem investido na atração dos mesmos. Hoje possui cursos ministrados em inglês, mas também procura captar os estudantes de nacionalidade brasileira, marcando a sua presença em eventos no Brasil. Trata-se, portanto, de mais uma opção para os estudantes brasileiros que pretendam estudar em Portugal!

Interior do Campus da Quinta do Bom Nome




quinta-feira, junho 14, 2018

Artigo de Opinião, publicado em 14 de Junho de 2018, pelo jornal Diário de Notícias


"Ligações migratórias contemporâneas: Brasil, Estados Unidos e Portugal"

No capítulo 8, "Estudantes brasileiros no ensino superior português: Quais as motivações para a escolha de Portugal e por que retornam ao Brasil?", escrito no início do meu doutoramento, em 2015 (no âmbito de um projeto de pesquisa financiado pela CAPES e FCT, com participação do NEDER, do Mestrado de Gestão Integrada do Território, da Universidade Vale do Rio Doce - UNIVALE, e do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, da Universidade de Lisboa - IGOT/ UL); procuro apresentar os dados em que me baseei antes de sair a campo, para além de alguns depoimentos de estudantes brasileiros do ensino superior que estiveram em Portugal, mas já haviam retornado ao Brasil.
Trata-se, portanto, de um capítulo introdutório ao estudo que venho desenvolvendo através do meu projeto de tese: "Trajetórias de mobilidade estudantil internacional: estudantes brasileiros no ensino superior em Portugal"

segunda-feira, junho 04, 2018

As Feiras Medievais em Portugal

Quem me conhece sabe que eu adoro as chamadas "Feiras Medievais", "Mercados Quinhentistas, Setecentistas, etc", em Portugal. A primeira que fui, realizou-se em Óbidos, e a partir de então não parei mais de ir! Na Grande Lisboa já fui em todas, desde Sintra, Queluz, até São Domingos de Rana, Montijo, chegando em Palmela. No Algarve, estive numa das que mais gostei, a de Castro Marim. No entanto, de uns anos para cá, as feiras medievais multiplicaram-se e perderam a sua principal característica, ser medieval! Isso fez com que o ano passado, eu não fosse a nenhuma delas.

Este ano, porém, resolvi ir a uma que já havia ouvido falar muito bem: A de Torres Novas.


Sob o mote “A Salvação do Corpo - Mestre António, físico-mor de D. João II”, e intitulada como sendo uma “Feira de Época”, não defraudou as minhas expectativas, pois manteve-se fiel à preservação das memórias da história. Para uma brasileira, proveniente do “novo continente”, foi muito interessante ver como Portugal era na época de Dom João II.

A feira, que realizou-se entre 30 de Maio e 3 de Junho, estava na sua nona edição, e como eu não havia ido em outras, não tenho meios de comparação. Mas no que se refere a esta, posso dizer que foi, sem dúvida, uma das melhores em que já fui em Portugal.

A começar pelo facto da cidade inteira viver a feira. Não é uma praça, um recinto, um lugar, mas todas a “cidade velha”, fazendo com que, para que entremos nela, sejamos obrigados a deixar o carro em parques de estacionamento fora do recinto. Isto, por si só, já nos faz regressar no tempo, pois entramos num local sem circulação de carros.
Acampamento de Arqueiros
Toda a feira, para além de barracas com produtos e “comes e bebes” servidos a preceito, tinha áreas temáticas, como o “acampamento de arqueiros”, onde estava perfeitamente recriada a vida quotidiana através dos ofícios militares e civis da época, ou a “Mouraria”, testemunho sempre presente do legado islâmico entre cristãos; com pessoas vestidas a rigor e verdadeiros momentos de recriação histórica. Destaco ainda o espetáculo de fogo “INFIRMUS MORBUS”, que aconteceu na primeira madrugado do evento.
Mouraria
Mouraria






Dromedários

Penso que é uma experiência que todos deveriam ter, afinal, não é todos os dias que nos deparamos com dromedários no meio da rua!

quinta-feira, maio 03, 2018

Artigo de Opinião, publicado em 3 de Maio de 2018, pelo Jornal Diário de Notícias

Olá pessoal! Saindo do tema dos meus últimos artigos no DN, mais relacionados com a divulgação do que tenho encontrado através do Doutorado, hoje resolvi falar sobre o que se passa no Brasil. Uma análise de uma brasileira em Portugal.
Ler aqui!