quarta-feira, outubro 03, 2018

O capital linguístico e as migrações internacionais: uma análise da influência deste capital na escolha dos estudantes brasileiros do ensino superior por Portugal

Foi publicado hoje pelo Caderno Eletrônico de Ciências Sociais (CADECS), mais um artigo científico de minha autoria: "O capital linguístico e as migrações internacionais: uma análise da influência deste capital na escolha dos estudantes brasileiros do ensino superior por Portugal"
Acesso em: http://periodicos.ufes.br/cadecs/article/view/21533/14290

segunda-feira, julho 30, 2018

Por que tudo fecha durante as férias em Portugal?

Por Juliana Iorio
Jornalista Freelancer
Essa é uma das perguntas que mais nos fazemos quando chegamos em Portugal e nos deparamos com tudo fechado durante o mês de Agosto. Até entendermos que o comércio em Portugal é feito, maioritariamente, de microempresas familiares, e que para as família passarem as férias juntas precisam fechar os estabelecimentos, demora... Até mesmo porque, para quem vem de grandes cidades no Brasil, isso não existe. Ou, pelo menos, é muito raro de se ver...
Portanto, os hábitos e costumes da cultura portuguesa ainda continuam a estranhar muitos imigrantes e turistas, principalmente aqueles que julgam conhecer bem a cultura deste país, como é o caso dos brasileiros.
Esses dias, em uma comunidade de brasileiros em Lisboa no Facebook, uma brasileira perguntou o que os participantes achavam ser mais diferente em Portugal, em comparação com o Brasil, e as respostas foram as mais variadas possíveis! Desde diferenças concretas nos hábitos alimentares, como o acompanhamento nas refeições ser sempre a batata e não o arroz, como a pastelaria ser a base de “doce d´ovos” ou se tomar sopa em todas as refeições; até diferenças de costumes de higiene, como o palitar os dentes à mesa e não escovar os dentes após cada refeição.

Entretanto, enquanto uns elogiavam a educação dos portugueses, dizendo que surpreenderam-se positivamente com os carros que param na faixa de peões (pedestres) por exemplo, outros reclamavam da maneira com que se conduz (dirige) em Portugal e do facto dos portugueses serem “ranzinzas” e preconceituosos. Opiniões a parte, foi muito interessante perceber como pessoas de uma mesma nacionalidade conseguem ter experiências tão distintas estando num mesmo país, e como os estranhamentos são tão importantes quando queremos entender as diferenças culturais desse país.

Mas o que me chamou mais atenção neste post foi o comentário de uma das participantes que disse: “… convivendo com eles, entendi que aquele modo “grosseiro” de se comportar era entre eles próprios também... Então eu tinha duas opções, voltar pra casa e escolher um lugar em que eu me adaptasse melhor, ou me adequar. Escolhi a primeira opção”. É isso! Mais uma vez o que está em causa não é se o português é grosseiro ou não, mas a nossa capacidade de aceitar que o relacionamento em Portugal é diferente do Brasil. É lógico que sempre podemos questionar as diferenças e percebê-las de forma mais positiva ou negativa. Mas o que nos faz permanecer no país (quando temos escolha) é a capacidade que temos de aceitar as diferenças e relevar aquilo que consideramos ser mais negativo. E esse parêntesis sobre “ter-se escolha” é muito importante, porque nem todos os que emigram têm condições de retornarem, se não gostarem da experiência.

Quando eu cheguei em Portugal questionava tudo o que era diferente do Brasil, sem pensar se era melhor ou pior. Algumas coisas simplesmente me incomodavam porque eram diferentes daquilo com que eu estava acostumada. Por exemplo, me irritava não haver ralo por toda a casa, para eu poder jogar água no chão, e puxar com o rodo! Eu não estava habituada a usar uma esfregona! Eu achava muito estranho ter que pendurar as roupas lavadas do lado de fora das janelas. Como assim? Além de feio, as roupas ficavam sujas! E comer sopa, inclusive no verão? Mas onde estavam as saladas? Contudo, com o tempo, além de aceitar esses hábitos, fui os incorporando ao meu modo de vida. Não é algo que eu tenha feito de maneira consciente, mas o facto é que hoje, quando vou ao Brasil, sinto falta da sopa mesmo estando um calor de quarenta graus! Hoje acho muito mais democrático a possibilidade de se poder fumar numa esplanada em Portugal, e me irrita profundamente não se poder fumar em lugar nenhum no Brasil. Hoje sei que corro risco de ser atropelada no Brasil, quando atravesso na faixa de pedestre sem me certificar se o carro irá mesmo parar. Ou seja, hoje, algumas coisas que me irritavam em Portugal, agora me irritam no Brasil. Acho que todo imigrante depois de muito tempo vivendo em outro país, acaba por incorporar as diferenças… É como se diz por cá: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se!”.

Mas eu continuo a achar que faz mais sentido a casa ter uma "área de serviço", como no Brasil, onde colocamos as máquinas de lavar e secar roupa, sem falar no tanque e no varal (estendal), do que ter essas máquinas na cozinha e continuar a estender as roupas à janela! Eu continuo a achar estranho todo mundo querer tirar férias em Agosto (apesar de saber que isso tem a ver com o clima - ser verão em Portugal nesta época do ano - e com as férias escolares), e muitos lugares, principalmente restaurantes em locais turísticos, fecharem durante todo o mês de Agosto! Não vejo muito lógica, mesmo em microempresas familiares, fecharem no período em que poderiam ter mais lucro devido ao turismo... Mas, se calhar, eles é que têm razão, pois dão mais importância a qualidade de vida, em passar tempo com a família, do que em ganhar dinheiro... De qualquer modo, e plagiando o cantor português Rui Veloso, hoje entre mim e Portugal, “é muito mais o que nos une, do que aquilo que nos separa”.

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"Não vejo muito lógica, mesmo em microempresas familiares, fecharem no período em que poderiam ter mais lucro devido ao turismo... Mas, se calhar, eles é que têm razão, pois dão mais importância a qualidade de vida, em passar tempo com a família, do que em ganhar dinheiro..." 

domingo, julho 08, 2018

A morte do comércio tradicional português, e os benefícios e malefícios do turismo, e da globalização


É certo que o aumento de turistas tem levado muitos para as zonas menos exploradas de Portugal. Não é só Lisboa que se tem “beneficiado” com isto. Dia desses lí que uma aldeia, em Arcos de Valdevez (Região Norte), havia registado um “surto turístico” nunca antes visto. No entanto, também é certo que com esse “boom” turístico, as dificuldades que o comércio tradicional português tem enfrentado para conseguir manter as suas tradições, estão a ser cada vez maiores. Ora vejamos: Na referida aldeia, a tasquinha da “Tia Amélia” encontra-se em processo de ampliação, e a residência paroquial foi autorizada a instalar um restaurante, como "medida de contingência para acudir ao surto turístico. Portanto, se por um lado, estas alterações podem ser positivas, na medida em que irão possibilitar mais estruturas aos turistas, e irão trazer mais dinheiro para a aldeia, será que, por outro lado, isto não acabará por descaracterizar uma aldeia considerada “monumento nacional”? Se aliarmos a isto o facto da indústria nacional também ter muita dificuldade em disputar um espaço com as indústrias que estão a vir de fora, um dos grandes “malefícios” do aumento do turismo em Portugal pode ser o comércio tradicional português não conseguir competir, e sucumbir a padronização (como aliás já acontece em tantos outros países com tradições turísticas). Hoje, tanto faz estarmos em Lisboa ou em Berlim porque as lojas que encontramos são as mesmas, a variedade entre o que elas oferecem é diminuta, a padronização é cada vez maior, e o que é próprio (tradicional) de cada país cada vez mais caro e raro de encontrar.
Além disso, como as políticas de arrendamento, sobretudo em Lisboa, não têm beneficiado os comerciantes tradicionais que se encontram nas zonas históricas, casas icónicas do comércio tradicional lisboeta, como a pastelaria suíça, a joalharia Correia e a loja de decoração Ana Salgueiro já anunciaram que irão fechar as suas portas para, se calhar, dar lugar à um comércio que vêm de fora, e que tende a descaracterizar o centro histórico desta cidade.
Foto: site da Pastelaria Suíça
Para quem vem de fora, não conhece o que é genuinamente português e, portanto, não tem parâmetros de comparação, isto não é necessariamente mau. Por isso, mesmo antes de fecharem as portas, muitas destas lojas já vinham perdendo, gradualmente, a qualidade… Deixaram de ter a necessidade de agradar aos portugueses, uma vez que os turistas tornaram-se os clientes principais. Logo, ter-se um comércio cada vez mais voltado para o turista pode significar que manter a tradição, e os padrões de qualidade que isto exige, talvez já não faça muito sentido.
Por exemplo, quem não conhece a gastronomia portuguesa, pode apreciar ou não qualquer coisa que comer em Portugal, sem comer, de facto, algo genuinamente português. Há ainda aqueles que, justamente por não a conhecerem, preferem não arriscar, e hoje já conseguem encontrar muitas opções, como os diversos fast food e pizzarias espalhados pelo país. Perde-se, por exemplo, a “Pastelaria do seu Zé”, e abre-se mais uma pastelaria Fast Food, voltada para turistas ou para aqueles que não têm memória.
Apesar de estar aqui há “somente” 18 anos, já consigo notar uma grande diferença na oferta, qualidade, e preços que são praticados hoje em Portugal. A oferta e os preços aumentaram, mas a qualidade do que é oferecido nem sempre… Se para mim isto tem sido percetível, para uma geração de portugueses que possui a memória da diferença entre o doce d´ovos, o creme de pasteleiro, ou o chantilly que cada pastelaria produzia, imagino que hoje seja fácil perceber que o “pré-fabricado” invadiu grande parte das pastelarias portuguesas, não mais deixando nenhum diferencial entre elas. Será a morte do comércio tradicional português? Se sim, será que isso realmente interessa uma geração mais jovem (aquela que hoje pode fazer a diferença), que não têm a memória de "como foi"? Uma geração que tem aprendido que a globalização, a padronização, é sinônimo de cosmopolitismo?
Por Juliana Iorio
Jornalista Freelancer

quinta-feira, julho 05, 2018

Você já ouviu falar da Universidade Europeia?

A Universidade Europeia (UE) é uma instituição de ensino privada em Lisboa (Portugal), que pertence ao grupo Laureate International Universities, e existe desde 2013. Apesar deste grupo contar com 3 instituições em Portugal (para além da UE, o IADE - Creative University e o IPAM - Instituto Português de Administração de Marketing), hoje, a convite da UE, os membros da Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal foram conhecer um dos seus campus de perto.


Quem passa em frente ao Campus da Quinta do Bom Nome (localizado na Estrada da Correia, nº53), não consegue ter a dimensão do que vai lá dentro! Trata-se de um empreendimento situado num antigo Palácio em Lisboa, que foi restaurado e oferece atualmente excelentes condições para quem quiser lá estudar. Com a particularidade de ficar aberto 7 dias por semana e 24 horas por dia, os estudantes podem lá entrar até a meia noite e a partir das 8h da manhã. Entre este período, apesar de não se poder entrar, quem já lá estiver e quiser passar a noite estudando, pode ficar! Afinal o espaço oferece uma biblioteca, salas de estudo, para além de um lounge exterior. Mas é lógico que se, lá pelas 3 da manhã, o estudante quiser ir-se embora, pode ir!
Para além de conferir graus acadêmicos na licenciatura, mestrado e doutoramento, oferece cursos de pós-graduação em áreas como gestão, direito, psicologia, recursos humanos, marketing, comunicação, desporto (em parceria com a UE Real Madrid), informática e tecnologias, gestão hoteleira e turismo.
Apesar de ser uma universidade nova, já conta com muitos estudantes internacionais e tem investido na atração dos mesmos. Hoje possui cursos ministrados em inglês, mas também procura captar os estudantes de nacionalidade brasileira, marcando a sua presença em eventos no Brasil. Trata-se, portanto, de mais uma opção para os estudantes brasileiros que pretendam estudar em Portugal!

Interior do Campus da Quinta do Bom Nome




quinta-feira, junho 14, 2018

Artigo de Opinião, publicado em 14 de Junho de 2018, pelo jornal Diário de Notícias


"Ligações migratórias contemporâneas: Brasil, Estados Unidos e Portugal"

No capítulo 8, "Estudantes brasileiros no ensino superior português: Quais as motivações para a escolha de Portugal e por que retornam ao Brasil?", escrito no início do meu doutoramento, em 2015 (no âmbito de um projeto de pesquisa financiado pela CAPES e FCT, com participação do NEDER, do Mestrado de Gestão Integrada do Território, da Universidade Vale do Rio Doce - UNIVALE, e do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, da Universidade de Lisboa - IGOT/ UL); procuro apresentar os dados em que me baseei antes de sair a campo, para além de alguns depoimentos de estudantes brasileiros do ensino superior que estiveram em Portugal, mas já haviam retornado ao Brasil.
Trata-se, portanto, de um capítulo introdutório ao estudo que venho desenvolvendo através do meu projeto de tese: "Trajetórias de mobilidade estudantil internacional: estudantes brasileiros no ensino superior em Portugal"